domingo, 3 de janeiro de 2010

Amor x Paixão - Parte I

O título deste texto coloca o “x” no sentido de versus, antagonizando estes dois sentimentos. Quando somos pequenos a nossa cultura ocidental nos ensina muitas coisas erradas sobre o amor e outras coisas certas. O resultado é uma incompreensão muito grande, lacunas em aberto, incoerências etc. Mas o pior não é o entulho filosófico que nossa sociedade carrega e transmite através das gerações, mas sim as consequências práticas e negativas no dia a dia de nossas vidas.

Este e outros textos que virão visam esclarecer o que é o Amor. Pretensioso? O leitor verá que não.

Se o evangelho de Jesus é a mensagem do amor que faltava para a nossa humanidade para que pudéssemos sair do nosso lodo milenar, não compreender o que significa amor (e ainda confundi-lo com paixão) é permanecer na ignorância e ficar bem perdido.

Em minha opinião, devemos buscar no latim as raiz do sentido mais real das palavras do nosso idioma. O português, assim como espanhol, veio do 'romance', adaptação do latim para a península ibérica. E foi o idioma latino o escolhido por Deus para transmitir em larga escala as ideias de Jesus. O hebraico, o grego, o aramaico, línguas pátrias do evangelho, tinham suas deficiências de apropriação dos usos de palavras e verbos que tinham dois ou mais sentidos. O latim foi um projeto mais moderno de idioma, o que deram mais clareza ao sentido dos ensinamento do Cristo.

Atualmente o uso da língua portuguesa no Brasil, nesta virada de século 20 para 21, está usando palavras com sentido próximo como se fossem sinônimo. Por isso, por mais moderna e adequada que seja o nosso idioma, cabe aqui recorrer ao Latim, pelo dicionário Português Latino, do Professor Francisco Torrinha, Editorial Domingos Barreira Porto.

Amor é “afeição profunda”, seus sinônimos são 'cáritas' (caridade, amor de Deus), 'voluntas' (vontade), 'studium' (dedicação, esforço, zêlo), 'benevolentia' (benevolência), 'robur' (energia, força moral). Veja que amor é sinônimo das virtudes que nos tiram da zona de conforto e nos exigem um esforço para realizar algo em relação ao próximo. Amor de Jesus é um amor atuante, não é contemplativo.

A chave do crescimento dentro de um casamento, de um namoro, uma amizade, pais e filhos, patrão e empregado, é a dedicação de ambos, um para o outro e para o relacionamento. Amor é uma coisa universal, falar em amor como uma degrau a mais do que gostar, falar em amor de pai ser diferente do que amor de homem para mulher, é apequenar o sentido de amor.

Amor é este sentimento que vai crescendo conforme as nossas atitudes. Só com o tempo e com o esforço é que aprendemos a amar. Aquele que ama muito, amará mais ainda. Aquele que ama pouco terá dificuldade de amar no princípio. Então amar é uma capacidade, uma coisa conquistada. Uma encarnação nos ajuda a amar. Ser filho, ser pai e mãe, ser marido e mulher, ser irmão, tudo isso já ajuda a aprendermos a amar. Assim como tudo na vida, por causa de nosso orgulho, egoísmo e vaidade, buscamos conhecimento para ter um carro do ano e isso nos obriga a estudar muito, aprender muito. Esta dedicação também ajuda a aumentar a nossa capacidade de amar.

No próximo texto falaremos da paixão, separando o amor deste defeito. Em um próximo, distinguiremos o gostar do amar. Até lá.

Um comentário:

Scully disse...

Zaki,

Lindo texto!

Só hj vi seu e-mail. Não ando abrindo tanto meus e-mails.
Adorei a proposta do seu blog! Parabéns!

Posso linká-lo lá no meu blog?

Beijos,

Scully.