segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Decálogo do Médium, segundo André Luiz

Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa, André Luiz nos oferece, no seu já citado “Desobsessão”, um valioso decálogo de recomendações e sugestões. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar, parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns.

É aconselhável, pois, aos médiuns psicofônicos:
1 Desenvolvimento da autocrítica.
2 Aceitação dos próprios erros, em trabalho mediúnico, para que se lhes apure a capacidade de transmissão.
3 Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite.
4 Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros, aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço.
5 Fixação num só grupo, evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo.
6 Domínio completo sobre si próprio, para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados, inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas, que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio.
7 Interesse real na melhoria das próprias condições de sentimento e cultura.
8 Defesa permanente contra bajulações e elogios, conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever.
9 Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades, seja pelas impressões de sua presença, linguagem, eflúvios magnéticos, seja pela sua conduta geral.
10 Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa, alijando, porém, os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo, como sejam relógios, canetas, óculos e jóias.

Entrevista com Hermínio C. Miranda - Folha Espírita

Folha Espírita, 2003


FE: Quando e como foi que o senhor fez sua opção pelo Espiritismo?

Hermínio Miranda: Não fui levado ao Espiritismo por crise existencial ou sofrimento, mas pela insatisfação com os modelos religiosos à minha opção. Alguém – mergulhado em transe anímico regressivo – me diria mais tarde que eu não aceitava tais propostas porque, de alguma forma que não me foi explicado, eu sabia que ali não estava a verdade que eu buscava. Essa atitude de reserva e até de rejeição contribuiu, acho eu, para retardar minha descoberta da realidade espiritual.

Um episódio irrelevante em minha vida desencadeou o processo. Eu quis, no entanto, entrar pela porta da frente. Consultei, para isso, um amigo de minha inteira confiança e ele me indicou com primeira leitura os livros da Codificação. Acrescentou os nomes de Gabriel Delanne e de Léon Denis e me disse, como que profeticamente: “Daí em diante, você irá sozinho”.

A surpresa começou com O Livro dos Espíritos. Inexplicavelmente, eu tinha a impressão de haver lido aquele livro antes, mas onde, quando? Antecipava na mente o conteúdo de numerosas respostas . Anos depois, ficaria sabendo que outras pessoas viveram experiência semelhante, entre elas, o respeitável e amado dr. Bezerra de Menezes.

FE: Desde quando o senhor escreve sobre o Espiritismo?

Hermínio Miranda: Comecei a escrever regularmente para o “Reformador e, em seguida, para outras publicações doutrinárias. Permaneci como colaborador assíduo do órgão oficial da FEB até 1980. Meus textos eram assinados nessa primeira fase, com as iniciais HCM. Posteriormente, o amigo dr. Wantuil de Freitas, presidente da FEB, me pediu que arranjasse um pseudônimo para evitar que dois ou mais artigos saíssem com o mesmo nome em um só número da revista. Foi assim que “nasceu” “João Marcus”.

A partir de 1976 começaram a sair os livros. Diálogo com as sombras foi o primeiro. Para alegria minha, foi bem recebido

FE: O senhor tem hoje quase 40 livros publicados. Como analisa sua obra?

Hermínio Miranda: Costumo dizer que boa parte de meus livros é voltada para o meio espírita. Diálogo com as sombras, Diversidade dos Carismas, bem como a série sob o título genérico Histórias que os espíritos contaram” são exemplos desse tipo de livro que dificilmente leitor e leitora não-espírita tomariam para ler. Sempre achei, contudo, de meu dever escrever livros que, sem excluir o leitor espírita, pudessem interessar também o leitor não-espírita. Estão nesse caso, A memória e o tempo, Alquimia da Mente, Autismo – uma leitura espiritual, Nossos filhos são espíritos, Condomínio espiritual e As mil faces da realidade espiritual. Parece que o plano deu certo, pois essas obras atendem a dois objetivos: o de mandar nosso recado para além das fronteiras espíritas e, ao mesmo tempo, abordar assuntos não especificamente espírita com enfoque doutrinário, sem contudo, fazer pregação ou com intuito meramente arregimentador. Na minha opinião, a gente deve ir ao Espiritismo se e quando quiser e por suas próprias pernas, ou seja, sem ser “arrastado”.

FE: O senhor tem idéia de quantos exemplares de seus livros foram vendidos até agora?

Hermínio Miranda: A repórter de uma grande revista semanal brasileira me fez, há tempos, essa mesma pergunta e muito se admirou por não ter eu condições de respondê-la. Continuo sem saber. Cheguei a tentar, mas não obtive a informação desejada. A razão disso está, em parte, no fato de que os direitos autorais da grande maioria de meus livros são doados a diversas instituições, como à FEB, ao Lar Emmanuel, do Correio Fraterno do ABC, a OCaminho da Redenção (Divaldo), ao Centro Espírita “Amantes da Pobreza, de “O clarim, ao Centro Espírita Léon Denis. Com os rendimentos auferidos pelos livros publicados pela Lachâtre mantemos nosso próprio serviço social numa favela do Rio de Janeiro.

FE: E quais os de sua preferência?

Hermínio Miranda: Creio ser difícil para qualquer autor dizer de que livro ou livros gosta mais. É como perguntar a um pai ou mãe, qual ou quais os filhos e filhas de suas preferências. Penso que a gente gosta de todos por motivos diferentes. Tanto quanto é possível considerar minha obra com um mínimo de objetividade e isenção, gosto de Nossos filhos são espíritos, pela surpreendente aceitação que encontrou dentro e fora do movimento espírita, o que também aconteceu com Autismo – uma leitura espiritual. Livros como Cristianismo – a mensagem esquecida, As marcas do Cristo, O evangelho gnóstico de Tomé, Os cátaros e a heresia católica, pela forte ligação emocional que tenho com a temática do cristianismo primitivo. Sobre as explorações intelectuais em território fronteiriço com o do Espiritismo, citaria A memória e o tempo, Alquimia da Mente e, novamente, por motivação diferente da anterior, Autismo – uma leitura espiritual.

Como se vê, isto não é propriamente uma lista de preferências, mas uma análise de cada grupo de livros, classificados por assuntos de minha preferência. Sobre a qualidade e o conteúdo dos livros, no entanto, prefiro que fale o público leitor.

FE: Além de seus próprios livros, o senhor tem feito algumas traduções. Qual o critério adotado na seleção das obras traduzidas?

Hermínio Miranda: Tenho dito que prefiro escrever meus próprios livros do que traduzir os alheios. É verdade, mas, às vezes, me vejo envolvido numa tradução motivado por fatores que diria imponderáveis, circunstanciais ou subjetivos. Não sei definir os critérios que me levaram a esse envolvimento. Cada caso é um caso.

FE: O que pensa o senhor do Espiritismo na sua interação com o mundo contemporâneo?

Hermínio Miranda: Prefiro reformular a pergunta: O que se pode dizer acerca da interação da realidade espiritual com o mundo contemporâneo? Isso porque, no meu entender, não há uma rejeição ou indiferença em relação ao Espiritismo especificamente, mas à realidade que a Doutrina dos Espíritos ordenou e colocou com simplicidade e elegância. O Espiritismo continua sendo um movimento minoritário, até mesmo no Brasil, justamente considerado o país mais espírita do mundo. Como se percebe, a massa maior das pessoas ainda prefere uma das numerosas religiões institucionalizadas e tradicionais. Ou a aparente liberdade que proporcionaria a descrença, que não tem compromisso com coisa alguma senão com a própria negação. O que, no fundo, e também uma crença (na descrença).

FE: O senhor tem algum projeto literário em andamento?

Hermínio Miranda: Acho que projetos o escritor sempre os tem. Eu também; talvez mais do que deveria ou poderia ter. No momento, traduzo The sorry tale, discutido livro mediúnico da autora espiritual que se identificou como Patience Worth, ao escrevê-lo através da médium americana conhecida como Sra. Curran, a partir de 1918. Além de ser um fenômeno literário, a história se passa no tempo do Cristo, da noite em que ele nasceu até o dia em que foi crucificado. É espantoso o conhecimento que a autora espiritual revela da época: a geopolítica, os costumes, a sociologia, a religião, a história e tudo o mais. O tratamento respeitoso e amoroso que ela dá à figura de Jesus é comovente. O livro é considerado um fenômeno exatamente por esse grau de erudição histórica e pelo fato de ter sido escrito num inglês um tanto arcaico, o elizabetano do século 17, que faz lembrar Shakespeare e, por isso mesmo, um desafio para o tradutor. A entidade justifica essa linguagem arcaica exatamente para provar que a obra não era da médium, uma jovem senhora dotada de escassos conhecimentos.

FE: Como o senhor escolhe os temas que desenvolve em seus livros, considerando-se a variedade dos assuntos neles abordados?

Hermínio Miranda: Outra pergunta para a qual não tenho resposta objetiva. Às vezes (Ou sempre?) me fica a impressão de que não fui eu que escolhi os temas; eles é que me escolheram.

FE: Seu livro mais recente – Os cátaros e a heresia católica – aborda uma doutrina medieval bastante parecida com o Espiritismo. Diga-nos algo sobre isso.

Hermínio Miranda: O estudo sobre os cátaros esteve em minha agenda cerca de 25 anos. Até que chegou o momento em que a própria obra “entendeu” que chegara a hora de ser escrita. Em parte, porque o tema exigia extensas e aprofundadas pesquisas na historiografia especializada francesa. Além disso, procurei sempre obedecer nos meus estudos uma escala de prioridades.

Não há dúvida de que o catarismo foi um dos mais convincentes precursores do Espiritismo. Antes dele, o mais promissor e bem articulado foi o movimento gnóstico. A inteligente doutrina cátara foi elaborada a partir do Evangelho de João, de Atos dos Apóstolos e das Epístolas, principalmente as de Paulo. Tive algumas surpresas como a de encontrar referências ao Consolador, que, com tanto relevo figura na Doutrina dos Espíritos. E mais: reencarnação, comunicabilidade entre as duas faces da vida, o despojamento dos cultos, sem rituais e sem sacramentos a não ser o do “consolamentum”. Seu propósito era o de um retorno à pureza original do cristianismo. E por isso, morreram nas fogueiras da Inquisição.

FE: O senhor tem obras não-espíritas publicadas?

Hermínio Miranda: No início de minha atividade literária, na distante mocidade, escrevi alguma ficção. Nada de que me possa orgulhar, ainda que tenha sido premiado em concursos literários e ter tido acesso a importantes publicações brasileiras. Um desses escritos mereceu crítica bastante lisonjeira de significativos escritores como Eloy Pontes (O Globo), Monteiro Lobato e o temido e respeitado Agripino Griecco (estes dois em cartas ao autor). Logo compreendi, contudo, que meu caminho não passava por ali, embora o instrumento de trabalho – a palavra escrita – fosse o mesmo.

FE: Sabe-se de sua limitada atividade como orador, expositor, palestrante ou conferencista. Por que isso?

Herminio Miranda: Considero-me orador medíocre. E nem me esforcei em desenvolver esse improvável talento, por duas razões: Primeira – sempre sonhei e desejei tornar-me escritor. Sinto-me à vontade com as letras. Segundo – que, no meu entender, não faltam bons oradores, expositores e conferencistas no meio espírita. Eu nada teria a acrescentar ao excelente trabalho que eles e elas têm feito nesse sentido.

FE: Como tem sido sua atividade em grupos mediúnicos?

Hermínio Miranda: Durante quase 40 anos participei de trabalhos mediúnicos em pequenos grupos. A parte mais importante de minha obra surgiu da experiência adquirida nessa tarefa. Sou grato aos amigos espirituais que guiaram meus passos nessa nobre e difícil atividade, bem como aos companheiros encarnados – médiuns e demais participantes – e às numerosas entidades com as quais dialogamos no correr de todo esse tempo. Costumo dizer com toda sinceridade e convicção que muito mais aprendi com os chamados “obsessores” do que lhes ensinei, se é que o fiz.

FE: Dispomos hoje de computadores, Internet, e-mail e outras tecnologias destinadas a facilitar a pesquisa. De que forma o senhor deu conta de seu trabalho sem o aparato de hoje?

Hermínio Miranda: O computador me tem sido valioso instrumento de trabalho. Não tanto nas pesquisas, mas na tarefa mesma de escrever. No tempo da falecida máquina de escrever, os textos eram penosamente datilografados, corrigidos à mão ou na própria máquina e posteriormente passados a limpo, duas ou três vezes.

Não uso muito a Internet para pesquisa, a não ser quando se torna necessária alguma informação adicional especializada. Ou quando à cata de livros. Isso porque, no meu entender, nada substitui o livro como objeto de estudo, consulta e citação. Obras como as que escrevi sobre o autismo, por exemplo, ou sobre os cátaros ou Alquimia da mente, exigiram preparo maior que só uma boa bibliografia em várias línguas poderia suprir. Em suma, por mais que os entendidos da informática desaprovem, o computador é, para mim, uma excelente e sofisticada máquina de escrever.

FE: Qual deve ser a postura espírita diante da antiga dicotomia e até confronto entre religião e ciência?

Hermínio Miranda: De serenidade e confiança. Não há o que temer. Ao lado de cientistas que têm procurado minimizar ou até demolir aspectos fundamentais da realidade espiritual, temos também, outros tantos que produziram e continuam a produzir impressionante volume de trabalhos científicos que demonstram a validade do modelo adotado pela Doutrina dos Espíritos. Dizem nossos amigos advogados, que o ônus da prova cabe a quem acusa. Que se prove, então, que essa realidade é uma balela ou uma fantasia. Kardec teve a corajosa serenidade de ensinar que a Doutrina teria de estar preparada até para mudar naquilo que fosse demonstrado estar em erro. O que não aconteceu em quase século e meio. Deixou igualmente claro que o Espiritismo é uma doutrina evolutiva e, portanto, aberta e atenta a todos os ramos do conhecimento. Ou seja, não deve deixar-se congelar dentro de um rígido modelo ou procedimento que o isole do que se passa “lá fora” de seu território ideológico.

FE: Assuntos como clonagem, que vêm ganhando espaço na mídia, devem ser tratados pelos espíritas?

Hermínio Miranda: Não tenho dúvidas de que a temática da clonagem nos interessa para estudo e tomada de posição, mesmo porque perguntas sobre esse fenômeno estão sendo dirigidas a nós. “O que você acha disso?” – perguntam-nos.

Em artigo intitulado “Xerox de gente” (“Reformador”, julho de 1980) cuidei do assunto, bem como, em outras oportunidades, da criogenia e do transplante. Este, por exemplo, foi tema proposto por Deolindo Amorim, em estudo, do qual participei, no Instituto de Cultura Espírita.

Antes disso, em dois artigos intitulados “O homem artificial”, publicados no antigo “Diário de Notícias”, do Rio, entendia eu o seguinte, em conclusão “...o que se chama um tanto pomposamente de criação do homem em laboratório, se reduz, a uma análise fria do problema, à criação de condições materiais à atuação de um espírito reencarnante.” (Ver De Kennedy ao homem artificial, de Luciano dos Anjos e meu, FEB 1975, p. 285).

O problema, portanto, situa-se no açodamento irresponsável de interferir nos mecanismos naturais testados, aprovados e consolidados ao longo dos milênios. Irresponsável porque não estão sendo levados em conta os aspectos éticos necessariamente envolvidos em tais pesquisas. Pensa-se, por exemplo, em criar com a clonagem, um “estoque” de “peças de sobressalentes” destinadas a repor as que se desgastarem pelo uso e abuso praticados no corpo da pessoa que forneceu o material genético.

A técnica de congelar cadáveres – criogenia – parte do pressuposto de que a ciência venha a desenvolver no futuro, procedimentos e medicamentos capazes de curar as mazelas de que morreram as pessoas. E os espíritos? “Onde” ficam? Sob que condições? Até quando? Disso, ninguém cuida, pois a entidade espiritual acoplada àquele corpo é totalmente ignorada. Por ignorância mesmo, aquela que não sabe e não quer saber, por mais cultos que sejam os que realizam tais experimentações.

Sobre esse tema, escrevi, ainda, há cerca de 30 anos – não tenho, no momento, como precisar a data – um artigo intitulado “Uma ética para a genética”—uma espécie de pressentimento sobre o que estamos agora testemunhando.

Em resumo: os espíritas devem, sim, acompanhar a movimentação de idéias, fatos, estudos e pesquisas, no mínimo para se informarem do que se passa e para que continuem confiando nas estruturas doutrinárias que adotaram.

FE: Gostaríamos que falasse sobre Chico Xavier e seu papel no contexto espírita.

Hermínio Miranda: Não há muito que dizer. Chico é uma unanimidade. Portou-se com bravura e digna humildade. Anulou-se como pessoa humana, para que por ele falassem seus numerosos amigos espirituais. Não há dúvida de que ampliou os horizontes desvelados pela Doutrina dos Espíritos, sem por em questionamento nenhum de seus princípios básicos; pelo contrário, os confirmou, sempre olhando para frente. O trabalho que nos chegou através dele demonstra que se pode expandir os horizontes da Doutrina dos Espíritos sem a mutilar.

FE: Que acha o senhor do movimento espírita brasileiro? Vai bem?

Hermínio Miranda: Não me considero com autoridade suficiente para uma avaliação do movimento espírita. Por contingências profissionais, não me foi possível participar dele como o desejaria, mas não apenas por isso. Tive de fazer uma opção e toda opção tem certo componente limitador, porque exclui outras. Minha prioridade era escrever. Isso tem sido uma espécie de compulsão, por ser, creio eu, a principal tarefa que me teria sido confiada ao me reencarnar. E para escrever, você precisa ler, ler muito, estudar, pesquisar, meditar, organizar suas idéias e expô-las de modo consistente. Não me teria sido possível fazer tudo isso em adição ao intenso trabalho profissional e às tarefas que, porventura, me fossem confiadas no movimento.

FE: Os princípios básicos da Doutrina Espírita já eram conhecidos na Antiguidade. Quais as civilizações que mais contribuíram para a formação desse patrimônio cultural?

Hermínio Miranda: A pergunta é muito ampla para as limitações de uma simples entrevista. É certo, porém, que os fenômenos de que se ocupa a doutrina são tão antigos quanto o ser humano. O aspecto que me parece mais relevante, neste caso, é o de que a realidade espiritual sobre a qual se assenta a Doutrina dos Espíritos já estava contida nos ensinamentos de Jesus e foi ele próprio que dirigiu a equipe que trabalhou com Kardec.

FE: Como o senhor considera o papel de Allan Kardec na elaboração dos livros básicos da Codificação?

Hermínio Miranda: Seria ocioso repetir o que já sabemos. O papel dele foi fundamental na elaboração dos livros básicos. Sua percepção da relevância do que estava acontecendo com as mesas girantes, sua capacidade para ordenar todo o material que lhe foi entregue, digamos, em estado bruto, em simples cadernos de anotações e a sensibilidade para formular suas perguntas dentro de um esquema racional e seqüencial, evidenciam o acerto de sua escolha para delicada tarefa.

FE: Fala-se e se escreve muito no meio espírita sobre os três aspectos da Doutrina dos Espíritos. Qual a sua posição nessa questão?

Hermínio Miranda: Não me sinto atraído por debates ou polêmicas, como o que às vezes se armam em torno de questões como essa. Está claro, para mim, que o Espiritismo tem sua vertente filosófica, a científica e a religiosa. Ao falar sobre isso, tenho em mente Religião com maiúscula; com todo o respeito devido, não me refiro às várias denominações cristãs contemporâneas. Mesmo porque o Cristo não fundou religião alguma – ele se limitou a pregar e exemplificar uma doutrina de comportamento, ou seja, como deve o ser humano portar-se perante o mundo, a vida, seus semelhantes e, em última análise, diante de si mesmo e da divindade. Ao que sabemos, jamais o Cristo cogitou de saber se sua doutrina devia ou não ser caracterizada como religião. E, no entanto, é religião, no seu mais puro e amplo sentido, de vez que cuida de nossa relação com as leis divinas. Minha opção prioritária, por assim entender, é pelo aspecto religioso do Espiritismo, sem, contudo, ignorar ou minimizar os demais. Nada tenho e nem poderia ter, contra os que pensam de modo diferente. Não vejo como nem por que disputar coisas como essa. Tenho eu de desprezar, combater, hostilizar, odiar e até eliminar aquele que não pensa exatamente como eu?

Se você prefere cuidar do vetor científico ou do filosófico, tudo bem.

Solicitado, certa ocasião, a um pronunciamento dessa natureza, entreguei pessoalmente ao eminente e saudoso companheiro dr. Freitas Nobre, um pequeno texto sob o título “Problema inexistente”, que ele mandou publicar em “Folha Espírita”. Por que e para quê todo esse debate? Começa que a posição a ser assumida ante o problema depende da conceituação preliminar do que se entende por religião. De que tipo de religião estaríamos falando?

FE: Como o senhor situa o pensamento do Cristo no contexto da Doutrina Espírita?

Hermínio Miranda: Kardec sabia muito bem o que fazia ao adotar a moral do Cristo. Afinal de contas e, ainda repercutindo a temática da pergunta anterior, o Espiritismo nos pede mais, em termos de comportamento e reforma íntima, do que a ciência e a filosofia. Há quem me considere místico, mas o rótulo não me incomoda; ao contrário, acho-o honroso e o aceito assumidamente. Não consigo imaginar minha vida – e a vida, em geral – sem os ensinamentos do Cristo. Como sou um obstinado questionador, tenho, pelo menos, duas perguntas a formular: “Que é ser místico?” E, antes dessa: “O que é misticismo?” Um amigo meu, muito querido, costumava dizer-me isso, naturalmente, sem a mínima conotação crítica, como quem apenas enuncia um fato. Regressou antes de mim ao mundo espiritual. Passado algum tempo, manifestou-se em nosso grupo mediúnico e entre outras coisas, me disse: “Você é que estava certo.”

FE: Qual é a sua formação profissional?

Hermínio Miranda: Minha formação profissional é em Ciências Contábeis, função que exerci na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, a partir de 1948, em Nova York (entre 1950 e o final de 1954) e, posteriormente, no Rio de Janeiro, de 1957 a 1980, quando me aposentei. Devo acrescentar que no decorrer dos últimos 22 anos, estive sempre no exercício de cargos executivos no primeiro escalão da empresa ou no segundo.

FE: Deixamo-lo à vontade para algo mais que queira acrescentar.

Hermínio Miranda: Certa vez fui convidado por uma freira, amiga da família, para um encontro com seus alunos de teologia numa universidade brasileira. No dia e hora marcados, lá estava eu. Ela é doutora em teologia e sabia, naturalmente, de minhas convicções, e foi por isso mesmo que me convidou, concedendo-me oportunidade de verificar o quanto sua mente é arejada e despreconceituosa. Perguntei-lhe sobre o que ela desejava que eu falasse. Ela propôs dois pontos: a reencarnação e como o Espiritismo considerava a figura de Jesus. Dito isso, foi sentar-se modestamente entre seus alunos e, como eles e elas, formulou várias perguntas. Passamos ali, umas duas horas numa conversa fraterna, animada e desarmada.

Digo que ela escolheu bem os temas, porque, na minha maneira de ver, a reencarnação é o cimento que mantém os diversos aspectos da realidade espiritual consolidados num só bloco. Uma vez admitida a reencarnação, tudo o mais se encaixa no seu lugar com precisão milimétrica. Isso porque, sendo como é uma realidade por si mesma, uma lei natural e não objeto de crença ou de fé, a reencarnação pressupõe existência, preexistência e sobrevivência do ser à morte corporal, bem como a lei de causa e efeito, que regulamenta nossas responsabilidades perante a vida. Mais: a reencarnação exclui do modelo dito religioso, qualquer possibilidade ou necessidade de céu, inferno ou purgatório como “locais” onde se gozam as benesses da vida póstuma ou se sofrem as conseqüências de erros e equívocos cometidos. Do ponto de vista da teologia dita cristã contemporânea, portanto, a reencarnação é uma doutrina subversiva, no sentido de que desmonta todo um sistema teórico de idéias e conceitos tidos por irremovíveis.

Quanto ao Cristo, não há o que discutir, é a mais elevada entidade que passou pela terra.

Acho que a ilustrada irmã gostou da minha fala, dado que algum tempo depois, me convidou novamente, desta vez para falar a um grupo de sacerdotes católicos já ordenados e seminaristas em final de curso. Que também foi uma conversa amena, fraterna e franca.

Evangelho do dia - Os Bons Espíritas (Cap. 17)

O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pois um e outro são a mesma coisa. O Espiritismo não cria uma nova moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, porém, dos que crêem na realidade das manifestações, não compreendem as suas conseqüências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que acontece isso? Será por uma falta de precisão da doutrina? Não, porque ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é a sua própria essência, e é isso que lhe dá força, para que atinja, diretamente a inteligência. Nada tem de mistérios, e seus iniciados não possuem nenhum segredo que seja oculto ao povo.

Seria necessária, então, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, pois vêem-se homens de notória capacidade, que não a compreendem, enquanto inteligências vulgares, até mesmo de jovens que mal saíram da adolescência, apreendem com admirável justeza as suas mais delicadas nuanças. Isso acontece porque a parte, de qualquer maneira, material da ciência, não requer mais do que os olhos para ser observada, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, que podemos chamar de maturidade do senso moral, maturidade essa independente da idade e o grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, num sentido especial, do espírito encarnado.

Em algumas pessoas, os laços materiais são ainda muito fortes, para que o espírito se desprenda das coisas terrenas. O nevoeiro que as envolve impede-lhes a visão do infinito. Eis por que não conseguem romper facilmente com os seus gostos e os seus hábitos, não compreendendo que possa haver nada melhor do que aquilo que possuem. A crença nos Espíritos é para elas um simples fato, que não modifica pouco ou nada as suas tendências instintivas. Numa palavra, não vêem mais do que um raio de luz, insuficiente para orientá-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de modificar-lhes as tendências. Apegam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente as iniciem em novos mistérios, sem indagarem se tornaram dignas de penetrar os segredos do Criador. São, afinal, os espíritas imperfeitos, alguns dos quais estacionam no caminho ou se distanciam dos seus irmãos de crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou porque preferem a companhia dos que participam das suas fraquezas ou das suas prevenções. Não obstante, a simples aceitação da doutrina em princípio é um primeiro passo, que lhes facilitará o segundo, numa outra existência.

Aquele que podemos,com razão, qualificar de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se num grau superior de adiantamento moral. O Espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina fazem vibrar-lhe as fibras, que nos outros permanecem mudas; numa palavra: foi tocado no coração, e por isso a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se comove com os acordes; o outro, apenas ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. Enquanto um se compraz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende a existência de alguma coisa melhor, esforça-se para se libertar, e sempre o consegue, quando dispõe de uma vontade firme.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Egoísmo (por Emmanuel, no Evangelho Segundo o Espiritismo)

O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! Animou-se a dizer aos judeus: Esse homem é justo, por que o quereis crucificar? E, entretanto, deixa que o conduzam ao suplício.

É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempanhado por completo a sua missão. Cabem-vos a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.

Emmanuel

(Mensagem psicografada em 1861, Paris e publicada em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" Capítulo XI - item 11)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sinopses das obras de André Luiz (Espírito)

www.autoresespiritasclassicos.com

a) Coleção “A Vida no Mundo Espiritual”
Nesta importante coletânea, constituída por uma série de 13 obras, o autor espiritual André Luiz, carinhosamente cognominado pelos espíritas “o repórter do além”, narra suas próprias experiências e as dos que o cercam no mundo espiritual. Ao longo da obra, as narrativas do autor vão sendo direcionadas à tarefa de esclarecimento dos encarnados sobre as realidades dessa “nova vida” e a estreita relação existente entre os dois planos da vida: material e espiritual.

Nosso Lar (psicografia de Chico Xavier) – (1943)
1ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
André Luiz inicia este primeiro livro da série narrando a sua “descoberta” do mundo espiritual após a sua última encarnação como médico, e algumas dificuldades pelas quais passou após seu desencarne, até o momento em que foi socorrido no plano espiritual em uma colônia socorrista chamada "Nosso Lar". Em narrativa vibrante, o autor nos revela um mundo palpitante, pleno de vida e atividades, especialmente nessa colônia organizada de forma exemplar, onde Espíritos procedentes da Terra passam por estágio de recuperação e educação espiritual supervisionado por Espíritos Superiores.
“Nosso Lar” não é o Céu; é, antes, mais um hospital, uma escola, uma zona de trânsito. Não obstante, nos permite antever um dos aspectos da nova vida que nos aguarda após a morte física.

Os Mensageiros (psicografia de Chico Xavier) – (1944)
2ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
O presente volume constitui-se em relatório compacto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do bem junto aos homens e, em especial, mostra a figura do competente instrutor Aniceto, um emissário consciente e benfeitor generoso. Revela a atividade intensa, organizada, disciplinada e produtiva dos espíritos e sua interação com os encarnados.
O autor espiritual relata as experiências de vários espíritos que reencarnaram com trabalhos programados, necessários aos seus próprios aprimoramentos. Trata ainda de temas como: culto do Evangelho no lar, os benefícios da prática do bem, invigilância e medo da morte. Evidencia a oportunidade de trabalho dos médiuns, alertando-os quanto à necessidade da prática dos ensinamentos na esfera íntima, a fim de se evitar o retorno ao mundo espiritual sem o cumprimento dos compromissos assumidos.

Missionários da Luz (psicografia de Chico Xavier) – (1945)
3ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Neste livro, André Luiz desvenda os segredos da reencarnação, revelando a tarefa dos Espíritos missionários encarregados do processo do renascimento. O autor espiritual destaca a importância do esforço próprio na luta pelo auto-aperfeiçoamento. Discorre sobre a continuação do aprendizado na vida espiritual, o perispírito como organização viva moldando as células materiais, a reencarnação orientada pelos Espíritos Superiores e aspectos diversos das manifestações mediúnicas.
São narrados também alguns dos problemas gigantescos que desafiam os Espíritos valorosos, encarnados com a gloriosa missão de preparar uma nova era, contribuindo na restauração da fé viva e no aprimoramento da compreensão humana. Missionários da Luz ensina que a Providência Divina concede, sempre, ao homem novos campos de trabalho, através da renovação incessante da vida por meio da reencarnação.

Obreiros da Vida Eterna (psicografia de Chico Xavier) – (1946)
4ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
André Luiz visa neste trabalho comprovar a tese de Kardec sobre a existência do mundo espiritual, que é a vida natural do Espírito após o término da sua experiência nesta vida física. Apresenta-nos as diferentes regiões para onde se dirigem os desencarnados, de conformidade com suas afinidades psíquicas e o seu grau evolutivo.
Demonstra o autor que, após abandonar o corpo físico, o Espírito encontra, também na vida de além-túmulo, sociedades e instituições, templos e lares, onde a evolução continua em um processo infinito, e os seres desencarnados, em sua nova vida, prosseguem em suas aquisições intelectuais e morais, preparando-se para um futuro retorno à jornada terrena.
Mais uma vez André Luiz esclarece que a morte não faz milagres: aqui ou no além o homem é construtor do seu destino e colherá no futuro o fruto da árvore que planta na vida atual.

No Mundo Maior (psicografia de Chico Xavier) – (1947)
5ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Tecendo informações sobre alguns setores das esferas mais próximas ao nosso mundo material, André Luiz focaliza aspectos significativos da vida no mundo espiritual e da comunicação entre seres desencarnados e encarnados, especialmente durante o repouso do corpo físico.
O autor espiritual fornece esclarecimentos sobre as causas do desequilíbrio da vida mental e apresenta os correspondentes tratamentos espirituais. Analisa temas como aborto, epilepsia, esquizofrenia e mongolismo, destacando o socorro imediato prestado aos necessitados pelos trabalhadores invisíveis, que evitam, o quanto possível, a loucura, o suicídio e os extremos desastres morais.

Libertação (psicografia de Chico Xavier) – (1949)
6ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Nesta obra, André Luiz nos propicia o conhecimento dos processos da ação obsessora de Espíritos revoltados e infelizes, que procuram envolver os homens em suas atitudes condenáveis. O autor espiritual informa sobre a intercessão realizada pelos Espíritos Superiores em benefício dos homens, dando provas da misericórdia divina que concede a todos abençoada oportunidade de libertação pelo estudo, pelo trabalho, e pelo perseverante serviço na prática do bem.
Em emocionante narrativa, André Luiz destaca o trabalho de Espíritos elevados no esforço de conversão ao bem de Gregório, Espírito de coração endurecido, desviado dos caminhos da evolução, que possuía largos poderes junto às forças trevosas e chefiava uma falange de centenas de Espíritos cristalizados no mal. O relato culmina com o inesquecível reencontro de Gregório com sua mãe, Espírito de escol, rendendo-se aquele ao apelo irresistível do amor materno.

Entre a Terra e o Céu (psicografia de Chico Xavier) – (1954)
7ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
É um documentário em estilo romanceado, que nos oferece notícias sobre o relacionamento existente nas atividades do Espírito nos dois planos da vida, o material e o espiritual.
Renovando seu interesse em nosso aprimoramento íntimo, André Luiz revela a comovente história de Amaro, Zulmira, Odila e outros personagens, recuando nos acontecimentos de suas anteriores existências, desde a Guerra do Paraguai até os dias da antiga Rio de Janeiro.
Em seu prefácio, Emmanuel nos assegura que “os quadros fundamentais da narrativa nos são intimamente familiares”, como as provações do lar, as aflições do coração, a tormenta do ciúme, as lutas cotidianas para aquisição do progresso moral. E nos alerta sobre a necessidade de valorização dos recursos que o mundo nos oferece para a reestruturação do nosso destino.

Nos Domínios da Mediunidade (psicografia de Chico Xavier) – (1954)
8ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Neste livro, André Luiz analisa os vários aspectos do intercâmbio dos Espíritos com os encarnados pela via da mediunidade, enaltecendo o esforço dos médiuns fiéis ao mandato espiritual recebido antes da reencarnação e adverte sobre os riscos do intercâmbio mal-conduzido entre os dois mundos.
Dentre os temas abordados, destacam-se a psicofonia, o sonambulismo, a possessão, a clarividência, a clariaudiência, o desdobramento, a fascinação, a psicometria e a mediunidade de efeitos físicos. Trata-se de um estudo técnico de grande relevância, que revela como agem os Espíritos nos intrincados processos da comunicação mediúnica. Retransmite conceituações de elevados mentores da espiritualidade, contidas em exposições de temática filosófica, científica e evangélica, indispensáveis aos que se dedicam ao estudo do assunto.

Ação e Reação (psicografia de Chico Xavier) – (1957)
9ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Nela, André Luiz mostra-nos que as nossas possibilidades na atual existência estão vinculadas às nossas ações no passado, do mesmo modo que as nossas ações no hoje condicionarão as nossas possibilidades no amanhã.
O autor espiritual descreve as regiões inferiores da esfera espiritual, reportando o sofrimento a que se condena a consciência culpada, após a morte do corpo físico, e mostra novos caminhos a serem trilhados em busca da felicidade. Para isso, apresenta estudos de casos reais, oferecendo orientações sobre o débito aliviado, a lei de causa e efeito, os preparativos para a reencarnação, os resgates coletivos e o valor da oração.

Evolução em Dois Mundos (psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira) – (1958)
10ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
André Luiz destina esta obra aos estudiosos, aqueles que desejam se aprofundar no conhecimento da ciência do Espírito; para isso, procura o autor aliar os conceitos rígidos da ciência aos preceitos evangélicos, revividos no Espiritismo.
Adentrando a Física e a Biologia, discorre sobre temas como fluido cósmico, o corpo espiritual e sua evolução, a alma, mecanismos da mediunidade, aspectos morfológicos, sociais e morais dos desencarnados, entre outros. É uma rica fonte de conhecimentos para os que buscam ampliar a sua capacidade intelectual com o auxílio dos cientistas e pesquisadores do plano espiritual.
Em resumo, este trabalho nos oferece, segundo as palavras de André Luiz, “um pequeno conjunto de definições sintéticas sobre nossa própria alma imortal, à face do Universo”.

Mecanismos da Mediunidade (psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira) – (1959)
11ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Tomando por referência as ciências físicas do mundo material, André Luiz realiza elucidativo estudo dos intrincados mecanismos da mediunidade. Oferece aos médiuns e estudiosos do tema os recursos para a compreensão de complexas questões da Física e da Fisiologia, que inteligentemente vão sendo relacionadas com os inúmeros aspectos da mediunidade. Ressalta a importância da mediunidade com Jesus, esclarecendo que, além dos conhecimentos necessários, surgem os impositivos da disciplina e da responsabilidade como fatores de aprimoramento das criaturas que se devotam ao intercâmbio com o mundo espiritual, dentro dos princípios do Evangelho à luz da Doutrina Espírita.
Por fim, demonstra o autor que a mediunidade foi a viga mestra de todas as construções do Cristianismo, traduzida pelas aparições dos santos, as profecias, as curas do Mestre e dos apóstolos e as visões de João no Apocalipse. Através dos dons mediúnicos, Jesus, após a morte do seu corpo físico, manifestou-se diante dos apóstolos para comprovar a imortalidade do Espírito.

Sexo e Destino (psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira) – (1963)
12ª de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
Valendo-se de uma história real, o autor espiritual oferece neste livro respostas às nossas indagações sobre o intricado problema do relacionamento sexual humano, com as implicações na vida do Espírito imortal e nas condições de suas experiências futuras. Liberdade e compromisso, culpa e resgate, lar e reencarnação, amor e consciência, constituem os temas deste livro.
André Luiz apresenta o sexo como instrumento sagrado de criação e o lar como refúgio santificante, deixando clara a ideia de que ninguém consegue lesar alguém nos seus dotes afetivos sem que posteriormente passe por dolorosas reparações.
As narrativas apresentam um duplo aspecto: por um lado, culpados incorrendo em consequências trágicas e, por outro, o amparo para os vencidos que aceitam a luz da retificação. Há, ainda, uma narrativa edificante, na qual os delinqüentes de ontem, redimidos de hoje, recebem a benção de tornarem-se colaboradores na redenção daqueles que outrora foram suas vítimas.
E a Vida Continua... (psicografia de Chico Xavier) – (1968)

13ª e última de 13 obras que compõem a coleção “A Vida no Mundo Espiritual”.
André Luiz nos oferece aqui um retrato da vida espiritual após a desencarnação, mostrando que a situação do habitante do plano espiritual está relacionada com sua condição mental.
Em estilo romanceado, o autor apresenta a história de personagens reais, com nomes trocados para evitar constrangimentos. Relata como eles se conduziram na espiritualidade com o auxílio de amigos espirituais, lançando-se ao estudo e ao trabalho, preparando-se para estarem aptos à revisão do passado e das tramas que os comprometeram, possibilitando traçar diretrizes novas que lhes permitirão renovadas experiências no infinito processo de evolução.
André Luiz ensina, ainda, a prática do auto-exame, na certeza de que a vida continua após a morte, sempre ajustada às eternas leis do Criador, plena de esperança, trabalho e progresso.

b) Demais obras de André Luiz

Agenda Cristã (psicografia de Chico Xavier) – (1947)
Esta é uma das obras mais procuradas pelos espíritas para presentear familiares e amigos, mesmo os que não se enfileiram no Espiritismo.
Em 50 pequenos capítulos, André Luiz nos oferece um conjunto de reflexões e ensinamentos sobre vigilância e prudência necessárias a uma boa conduta cristã, com base na sabedoria e na visão da Espiritualidade Superior. O leitor aqui encontrará conforto, orientação segura e lições de autocontrole para as ansiedades e situações inesperadas que nos surpreendem no dia-a-dia.
Esclarece André Luiz que a obra nada mais faz do que reavivar os antigos e eternos ensinos do Cristo-Jesus, com vistas ao nosso aprimoramento moral; são simples e valiosas normas de conduta que nos auxiliam a agirmos como verdadeiros cristãos.

Conduta Espírita (psicografia de Waldo Vieira) – (1960)
Nos 47 capítulos que integram a obra, André Luiz nos oferece valiosas orientações sobre a conduta moral daqueles que abraçaram a Doutrina Espírita. O autor espiritual sugere regras simples e sensatas sobre como agir ou não agir perante as múltiplas situações e opções que se apresentam na vida de relação.
Em seu conteúdo, a obra trata da conduta espírita tanto da mulher como do homem, do jovem, do dirigente de reuniões doutrinárias, nos embates políticos, na obra assistencial, na tribuna, na imprensa, na radiofonia, perante a Pátria, perante as fórmulas sociais, perante a própria Doutrina, perante Jesus; em suma, perante o próximo, que, seja quem for, é nosso irmão, e perante Deus.

Desobsessão (psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira) – (1964)
Este livro revela-se um valioso auxílio àqueles que se propõem atuar, com a devida seriedade, em reuniões específicas da Casa Espírita, o grave e delicado problema da obsessão, que, como as mais diferentes e temíveis doenças do corpo físico, se constitui em flagelo da Humanidade.
Em 73 capítulos devidamente ilustrados, André Luiz aborda temas que orientam os trabalhadores das reuniões de desobsessão sobre o seu preparo físico e psíquico, desde o despertar no dia da reunião, superação de impedimentos, conversação anterior à reunião, pontualidade, trabalho em equipe, educação mediúnica, passes, até o seu encerramento. Trata ainda de importantes procedimentos posteriores ao trabalho de desobsessão.
Alerta sobre a gravidade do assunto, salientando que cada Casa Espírita deve possuir a sua equipe de servidores da desobsessão, não somente para sua defesa e conservação, como também para socorrer as vítimas da desorientação espiritual.

Respostas da Vida (psicografia de Chico Xavier) – (1975)
Nesta obra o autor espiritual nos oferece um conjunto de reflexões e apontamentos, como respostas a indagações formuladas por companheiros de luta na experiência terrena, especialmente no que se refere à iluminação íntima e ao relacionamento comum, objetivando a nossa própria melhoria e elevação espiritual.
O Espírito André Luiz destaca que as respostas para os problemas e dificuldades enfrentados pelo homem encontram-se no universo de sua própria intimidade; daí a expressão: "Conhece-te a ti mesmo". A partir deste contexto, ele sugere os caminhos que podem levar o leitor ao porto seguro de si mesmo.

Sinal Verde (psicografia de Chico Xavier) – (1971)
Um dos maiores sucessos da literatura espírita dos últimos anos, esta pequena-grande obra é um verdadeiro manual de conduta moral. André Luiz nos oferece aqui preciosas orientações sobre nossas atitudes do dia-a-dia, para auxiliar-nos na nossa convivência em família, no trabalho e na sociedade em geral. Focaliza pequenos detalhes de conduta que às vezes nos passam despercebidos, mas que são de grande importância para a nossa paz interior, além de servirem de exemplo de respeito e solidariedade diante dos nossos semelhantes.
Em mensagens que se revelam singelas e ao mesmo tempo sábias, o autor espiritual procura nos auxiliar na localização das causas dos problemas no relacionamento humano, indicando para cada uma o receituário adequado à saúde do corpo e do espírito.

O Médium e o Centro Espírita

Texto de Joanira Necas Soares - de Ribeirão Preto, SP

O Centro Espírita é uma organização humana e no seu funcionamento precisa de muitos colaboradores, dentre eles os médiuns, que são os instrumentos usados pelos Espíritos para o intercâmbio espiritual entre os dois mundos. Daí, portanto, o Centro Espírita precisa do médium, assim como o médium precisa do Centro Espírita. A Doutrina Espírita sem a prática mediúnica ficaria incompleta e perderíamos belíssima oportunidade de restauração moral em decorrência dos exemplos e ensinamentos que vivenciamos, além de que as comunicações espirituais nos trazem muito conforto, consolo, amparo e aprendizado.

O Centro Espírita é importante para o médium como centro de apoio e força espiritual para o desempenho de suas tarefas doutrinárias (o mediunato).

O médium não deverá jamais desempenhar suas tarefas mediúnicas em seu lar ou em lares alheios. É imprescindível conscientizar-se sempre de que ser médium não é privilégio e que mediunidade não dá atestado moral a ninguém.

O médium tem o dever de conhecer as obras básicas da Codificação Espírita, de evangelizar-se e de divulgar o Espiritismo, dando-lhe atenção e carinho, isso é uma grande prova de amor.

O exercício da mediunidade exige perseverança, disciplina, amor, paciência, estudo e interesse contínuo.

O médium é uma pessoa comum, suscetível de variadas influências de caráter emotivo, daí, portanto é também merecedor de compreensão, solidariedade e carinho.

Médiuns, mediunidade e Espíritos estão todos a serviço de uma única causa: a evangelização da humanidade, alicerçada no “Amai-vos uns aos outros.” Mais importante que ser médium é ser bom. Quem vivencia o bem com consciência, o vivencia em plenitude.

Mediunidade é dada aos homens para o intercâmbio do bem, os médiuns que se afastarem desse caminho, estarão desvirtuando-a da sua finalidade básica e certamente responderão por isto. Seja qual for o setor de atividade a que estejamos engajados, a prática do bem é o essencial em nossas tarefas doutrinárias.

Devemos exercer a mediunidade, seja de que tipo for com respeito e carinho, sempre agradecendo a Deus por estarmos trilhando esta estrada de luz e levando a nossos semelhantes, encarnados e desencarnados, consolo, amor e carinho

No desempenho dos deveres mediúnicos os médiuns deverão tomar por base a disciplina e a humildade; na qualidade de servidor, o médium não tem direito de ser arrogante ou presunçoso. É muito importante também que os médiuns tenham noção de limites, que conheçam o regulamento da Casa Espírita em que trabalham, isso é fundamental para que se evite algum tipo de relacionamento desagradável; primar sempre pela ordem e colaborar no que for possível para a harmonia, o bom funcionamento do Centro Espírita. A psicosfera psíquica de uma instituição revela o equilíbrio de seus trabalhadores.

É fundamental que os médiuns não se tornem, de forma alguma, em pedra de tropeço no bom desempenho das tarefas doutrinárias; nunca ser obstáculo à propagação da Doutrina; não ser instrumento de dissenções e discórdias nos estudos e atividades doutrinárias, evitando ataques pessoais, a pretexto de defender a verdade, do tipo: “pela Doutrina eu falo tudo, faço isto ou aquilo.” Quem ofende um ser humano dentro de um Centro Espírita, está desrespeitando a Doutrina; procurar se dirigir aos companheiros fraternalmente, nunca com presunção ou superioridade; que os médiuns não se invejem mutuamente, cada tipo de mediunidade cumpre com uma finalidade de suma importância no contexto geral do intercâmbio com o invisível. Que os médiuns sintam a responsabilidade que lhes pesa sobre os ombros e guardem vigilância redobrada contra os espíritos incendiários, aqueles que alimentam o fogo da desavença nos corações. Toda espécie de trabalho para produzir os melhores frutos carece de disciplina e abnegação, na mediunidade isso é indispensável. Confiar na orientação dos bons Espíritos, com paciência sempre se encontra boas soluções, as coisas se encaixam e se encadeiam no seu tempo certo.

No grupo mediúnico estar atento para identificar o medianeiro que se revele portador de determinadas deficiências e ampará-lo por todos os meios possíveis, para que em si a mediunidade seja fonte de luz e crescimento espiritual.

Mediunidade em si não é um mar-de-rosas, nem atividades de prazeres momentâneos, é, porém, oportunidade divina para mais rápida ascensão a todos aqueles que dela souberem se beneficiar, ou seja, usá-la com responsabilidade, exclusivamente para o Bem.

O médium que se pautar dentro dessa linha de conduta, terá, com certeza, grandes oportunidades onde estiver e fará da sua Casa Espírita um lugar de credibilidade e aconchego moral para tantos que necessitam de paz e orientação. Assim sendo o bom Centro Espírita se revelará pelos médiuns e trabalhadores que possui.

A Casa Espírita e o médium estão interligados e interdependentes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Emmanuel fala sobre o Perdão

"O perdão do Senhor é sempre transformação do mal no bem, com a renovação de nossas oportunidades de luta e resgate, no grande caminho da vida. A Divina Tolerância não constitui subversão da ordem no campo da Justiça. A Bondade Infinita do Criador ou daqueles que O representam nos afaga e desculpa sempre, entretanto, nossa consciência jamais nos perdoa."

"Se somarmos as inquietações e sofrimentos que infligimos a nós mesmos por não perdoarmos aos entes amados pelo fato de não serem eles as pessoas que imaginávamos ou desejávamos fossem, surpreenderemos conosco volumosa carga de ressentimento que nada mais é senão peso morto, a impelir-nos para o fogo inútil do desespero."

"PERDOAR AOS AMIGOS
Afirmação aparentemente contraditória, mas de justo sentido: "perdoar aos amigos". Advertência afetuosa para todos os dias.
Reflete nisso e não estragues o tempo com suscetibilidade inúteis.
Do adversário, é possível venham ofensas que nos impõem a prática da tolerância, considerando-se que os inimigos, em muitas ocasiões, são nossos credores, que nos ensinam a raciocinar e a discernir.
Dos amigos, porém, temos as lições constantes da convivência, na escola do cotidiano.
São os testes da comunhão afetiva que nos oferecem oportunidades à conquista do entendimento e do amor.
Valoriza os companheiros que te apóiam e não lhes desmereças a dedicação por bagatelas.
Não de queixes da omissão de teu nome na relação de convidados para uma festa; não exijas dos teus associados de ideal considerações pessoais claramente dispensáveis; não te melindres com alguma frase menos feliz a teu respeito e nem percas tempo com apontamentos que a malícia te assopre aos ouvidos.
Honra sempre os amigos que te incentivem para o trabalho do bem e abençoa-lhes a presença no caminho que a vida te deu a percorrer.
Diz a Escritura: "aquele que encontrou um amigo achou um tesouro" e, por isso mesmo, entre as mutações e perturbações do mundo, é preciso saibamos conservá-lo."

"A atitude que mais favorecerá o nosso êxito espiritual nos trabalhos do mundo deve ser a que vos é ensinada pela lei divina, na reencarnação em que vos encontrais, isto é, a do esquecimento de todo o mal, para recordar apenas o bem e a sagrada oportunidade de trabalho e edificação, no patrimônio eterno do tempo."

"Esquecer o mal é aniquilá-lo, e perdoar a quem o pratica é ensinar o amor, conquistando afeições sinceras e preciosas.
Daí a necessidade do perdão, no mundo, para que o incêndio do mal possa ser exterminado, devolvendo-se a paz legitima aos corações."

"Quem perdoa sinceramente, fá-lo sem condições e olvida a falta no mais íntimo do coração; todavia, a boa palavra é sempre útil e a ponderação fraterna é sempre um elemento de luz, clarificando o caminho das almas.
O perdão sincero é filho espontâneo do amor e, como tal, não exige reconhecimento de qualquer natureza. Portanto, quando alguém perdoa, não deve mostrar a superioridade de seus sentimentos para que o culpado seja levado a arrepender-se da falta cometida."

"Para a convenção do mundo, o perdão significa renunciar à vingança, sem que o ofendido precise olvidar plenamente a falta do seu irmão; entretanto, para o espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos, embora prevaleça para todos os instantes da existência a necessidade de oração e vigilância.
Aliás, a própria lei da reencarnação nos ensina que só o esquecimento do passado pode preparar a alvorada da redenção."

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Obsessores, o ódio e o amor

"Amai-vos uns aos outros, e sereis felizes. Tratai sobretudo de amar aos que vos provocam indiferença, ódio e desprezo. " (ESE, Cap. 12, Instruções dos Espíritos, FÉNELON, Bordeaux, 1861).

"Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano, que cederá, mesmo de malgrado, ao verdadeiro amor. Este é um imã a que ele não poderá resistir, e o seu contato vivifica e fecunda os germes dessa virtude, que estão latentes em vossos corações”. (ESE, Cap. 11, Instruções dos Espíritos, FÉNELON, Bordeaux, 1861).


Encaramos ainda o Obsessor como um inimigo? Isso é parte de um "vício" religioso que trazemos de muitas encarnações, quando deturpamos e humanizamos outras religiões e agora queremos transferir ao Espiritismo. A história do espiritismo no Brasil mostra muitos exemplos destas transferências, com a finalidade de nos adaptar mais facilmente à nova doutrina. Não se sabe como, mas o espiritismo vem ao longo das décadas naturalmente limpando este tipo de deformação, preservando sua pureza doutrinária naturalmente, sem necessitar do policiamento doutrinário que ocorria nos anos 60.

O Obsessor não é a figura do mal. Na maior parte das vezes, principalmente àqueles que são tratados no P2 (da Aliança e FEESP) são espíritos que estão meio perdidos e se ligam a nós pelos pensamentos de tristeza, pensamentos negativos em geral. Normalmente não são espíritos ligados a nós, não há grandes vínculos reencarnatórios. Após a sessão de P2, o que se vê no plano espiritual é uma imensa enfermaria de espíritos sendo atendidos pelos plano superior, eles vão encontrar o caminho deles seguramente.

Mas vamos falar de um irmão tipo P3B (idem acima), numa obsessão dirigida, planejada... Pense primeiro que você já foi capaz de fazer isso e veja onde você está hoje. Pense ainda que pode não ter sido há muito tempo e veja que grande diferença. Pense ainda que muitas vezes você ainda se surpreende com sentimentos de ódio muito fortes dentro de você, uma energia intensa, mas que te faz mal, chega a doer no corpo. Pois é, quando estamos desencarnados, não temos a ancora do corpo, que nos tira de pensamentos longos e continuados. O corpo nos impõe horas para comer, dormir, trabalhar, cuidar dos filhos, nos obriga a mudar o pensamento. Ou seja, é uma benção, pois quando desencarnados podemos vibrar ódio durante semanas sem percebermos...

Kardec (no texto acima) e Hermínio Miranda (em Diálogo com as Sombras) nos mostram que o Obsessor tem dentro de si sentimentos como os nossos. Quando conversarmos com um obsessor devemos ter com ele todo o nosso respeito, devemos ouvi-lo sem preconceitos, devemos acolhê-los e descobrir qual é a sua dor. Normalmente vamos ouvir o seguinte: fui rejeitado, me abandonaram, me tiraram meu filho, mentiram para mim, fui enganado, não me respeitaram... Isso é só a primeira camada. A segunda é a mais legal e é aquela que nos mostra a chave para compreender o ódio de uma vez: todos que odeiam acreditam que foram impedidos de amar.

Quando chegamos nesta segunda camada, quando o espírito (encarnado ou não) entende o porquê de sua dor inicia-se o caminho do plano superior (e de nós, por que não) de ajudá-lo a curar esta dor com muito amor. Um obsessor pode ser um pai que viu sua filha ser morta em sua frente, há alguns séculos e logo depois de morto perseguiu por 200 anos e em falanges os seus algozes. A filha que nunca sentiu ódio, se recuperou e lutou para recuperar seu pai durante todos estes 200 anos e numa sessão de desobsessão, o doutrinador (com respeito e com amor) consegue chegar no ponto e sua filha aparece e ocorre a mudança, a conversão. O amor é irresistível. E o ódio é uma crença nossa de que fomos impedidos de amar.

Nesta semana, durante uma gritaria de ódio, pude ouvir no meio dela, a dor de uma pessoa que estava me odiando. No meio da confusão, lá do fundo do seu coração surgia como uma suplica, a sua dor real apareceu. E pude colocar uma água fresca sobre ela, mostrando o seu engano, e a pessoa agora está bem, não se sente mais mal, não se sente mais com ódio, está em paz. Fiz com ela o que gostaria que tivessem feito comigo, mas ao mesmo tempo aprendi que eu não preciso que me dêem uma bengala, minhas pernas estão fortes, posso andar, correr e carregar peso com elas. Fica aqui a nova lição, àquele que muito recebeu, muito será exigido.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ORAÇÃO DO PERDÃO

Plenamente consciente de minha missão, me perdoo por todo o mau uso das energias ao longo da minha jornada.

Perdoo todos aqueles que me acompanham em minha jornada atual.

Perdoo todos aqueles que, em outro nível de consciência, bloqueiam meu trabalho, dificultando meu sucesso.

Me perdoando e perdoando meus companheiros de caminhada, abro as portas a todas as oportunidades de servir e ser servido,

Em nome da minha missão e em nome do AMOR maior.

Me perdoando, modifico erros em lições de sabedoria,

Integro toda a minha aprendizagem em minha bagagem,

Projeto coragem e eficiência no futuro de abundância e prosperidade.

Plenamente consciente de meus objetivos nessa atual existência, perdoo e abençoo a todos aqueles que, por afinidades positivas ou negativas, estão presentes em minha vida.

Prossigo no caminho da verdade, do amor e da paz,

Com sabedoria e discernimento.

Mensagem do Espírito Lavínia, psicografada por Chico Xavier

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tentações

E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. (Mateus, Cap 6,ver 13).

Esta frase na prece do Pai Nosso, que foi proferida por Jesus, no Sermão da Montanha, para nos ensinar como deveríamos orar, nos traz a reflexão em torno das tentações e como lidar com elas.

Primeiramente devemos entender o que é o caminho correto. Se estamos alinhados com os princípios e ensinamentos do Sermão da Montanha, estamos no caminho correto. Qualquer desvio que fazemos neste alinhamento, nos tira do caminho correto.

Se vivemos nossa vida +- correta, mas num certo momento nos alinhamos ao Sermão da Montanha, naquele momento podemos ter uma vivência 100% correta. Um momento que seja, um minutinho que seja, Deus está aberto a que vivenciemos o bem e o amor dele e toda a plenitude irradiante que o caminho correto oferece.

Quando vivemos o caminho correto as coisas conspiram a favor, numa energia positiva que pode nos assustar, num primeiro momento.

No meio de uma guerra, de uma batalha, de choros e ranger de dentes, se o Cristão se mantiver no caminho correto, insistindo, persistindo, no bem e no alinhamento do código do Sermão da Montanha, então ele triunfará, não com louros da exposição mas com a vitória silenciosa e discreta do Bem.

Tudo tem que estar alinhado com o Sermão da Montanha até mesmo o triunfo do Bem.

As tentações nos desviam deste caminho. Vamos conceituar as tentações. Coisas externas ou internas podem encontrar eco (familiaridade) dentro de nós, que nos desviam para o mal. Para que existem estas familiaridades internas, nós precisamos reconhecer elas são os nossos defeitos e nossos vícios. Ou seja, por mais que a tentação possa vir de fora, ela realmente só existe se tivermos o nosso defeito.

Exemplo: um aposentado militar do século XI vê uma batalha sangrenta, cai na tentação de batalhar e vai ao encontro do confronto que não foi chamado. Cá entre nós, você iria? Possivelmente não. Para ele era uma tentação, para você tentação pode ser uma torta de chocolate ou falar mal dos outros.

A frase do pai nosso nos dirige a pedir ajuda de Deus para que tenhamos força de não dar vazão aos nossos defeitos ou vícios.

Buscar substituir os defeitos e vícios por virtudes é um desafio diário e as vitórias milimétricas devem ser comemoradas.

Mas tem mais nesta história da tentação. Uma reflexão maior que normalmente não fazemos.

Quando desejamos fazer aquilo que não temos condições ou competência para realizarmos, ou quando aquilo não está no planejamento do plano superior para que façamos, ou quando nos propomos a realizar um trabalho no qual ainda não temos capacidade de dar conta, nós podemos estar caindo em tentação.

Isso vale com filhos, no trabalho profissional, no centro espírita etc. Vale sempre a pergunta, se daremos conta ou não. Devemos refletir no sim que daremos, pensar no compromisso que estamos assumindo, pois teremos que dar conta, outras pessoas estarão aguardando.

Vou dar outro exemplo de como fazer coisas que não estão ao nosso alcance é uma tentação: muitas vezes alguém pode nos pedir ajuda e isso estar de acordo com a nossa possibilidade. Ok, maravilha, mãos à obra. Mas tem horas que não está ao nosso alcance, nem é justo que façamos, e caímos mesmo assim na tentação de realizar. Nestes casos, muitas vezes aceitamos, mas com o coração pesado, sentimos que algo não está certo, não estamos fazendo de coração. As conseqüências não são as melhores, minha secretária do Centro sabe bem o que estou dizendo.

Uma tarefa que Deus nos dá, não importa qual, é algo que devemos fazer com amor, mas dentro de nosso alcance reconhecermos humildemente quem somos, se a arrogância que nos fará prejudicar a tarefa.

Se o trabalho é compulsório, como de ser pai, abraçar fortemente a questão e burilar os erros que fazemos e buscar soluções. Se for um trabalho opcional, avaliar e pedir ajuda, não ser egoísta ou orgulhoso ou vaidoso. Não cair em tentação tem disso, tem a renuncia da vaidade.

Esta semana, na insistência minha em me manter no bem, num certo aspecto, me deu ontem uma pequena vitória que fica aqui registrada. A pessoa teve humildade de pedir desculpas. O que eu fiz, dei a face esquerda muitas vezes sem reagir, me mantendo na sintonia do bem. O meu exemplo de não violência despertou nela os ensinamentos evangélicos. O exemplo dela de arrependimento me ajuda a fazer o mesmo. Não caí na tentação do revide, juro que morri de vontade de fazê-lo, mas ouvi e obedeci o alerta. Foi só um primeiro passo meu nisso, terei que no futuro me virar sem o amparo tão incisivo do meu mentor.

E em outra história paralela a esta, ainda percebo que as agressões seguirão, pois a pessoa terá que entender o que está acontecendo e e o que está fazendo, por isso seguirá agredindo. Que eu reconheça e faça como fiz com o exemplo acima, me mantenha na sintonia do bem (alinhado com o sermão da montanha) e não revide, não agrida, não pense mal, nem nada.

Que eu confie no meu mentor, que tem pedido repetidas vezes "pense em mim, liga pra mim, não ligue pra eles" (risos). Mas é isso, vibrar pelos nossos "inimigos" nos põe em tentação de entrarmos na sintonia deles e por isso melhor deixar nas mãos de quem entendem, nossos mentores, discípulos verdadeiros do Mestre.

Bom Domingo e Boa Semana a todos. Aos meus queridos alunos, até quinta.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Não resistais ao mal

"Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quer demandar-te em juízo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregado mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pede, e não volte às costas ao que deseja que lhe emprestes. (Mateus, V: 38-42)"

A frase do título deste post é uma das mais sublimes explicações de Jesus sobre como lidar com o próximo. Só que em português atual está um pouco difícil de entendê-la. A melhor maneira é subirmos o nosso entendimento ao nível do Cristo, nos utilizando de uma escada da ciência, a Física.

Não resistais ao mal significa que: "quando o mal vier em sua direção, não cria uma resistência a ele, deixe-o passar". Se você cria uma resistência ao mal, seu escudo de resistência deverá estar numa sintonia muito próxima ao mal, pois assim um se choca com o outro. Se seu escudo está na mesma sintonia do mal, significa que você está na mesma sintonia do mal também, ou muito próxima dela. Isso significa que o mal lançou a você um desafio de jogar o jogo do mal e você aceitou. E como diria minha vó, "aceitou por que quis".

É comum dizermos sim aos jogos do mal. Mas tão comum é não se sentir bem aos jogos do mal e buscar uma alternativa, muitas vezes através da prece, pedidos de auxílio, como o passe, entre outros recursos.

Não resistais ao mal é isso: não entrar em choque com o mal, não revidar, não pagar na mesma moeda, não lutar contra o mal, não jogar o joguinho do mal, não entrar na mesma sintonia que o mal.

Quem ganha o jogo do mal? Quem é melhor neste tipo de jogo, obviamente. Mais um motivo para quem deseja o bem, busca o bem, pratica o bem de não entrar em joguinhos destrutivos.

Estes filmes que mostram um pouco do lado espiritual, mostrando uma guerra entre o bem e o mal, com o "bem" vencendo o mal se utilizando de força e violência, não acredite neles. Não acontece no mundo espiritual. Lá o bem só vence o mal através de uma postura moral, vibrações de amor, poder do perdão, do acolhimento e um monte de coisas que para hollywood não tem a menor graça.

Tudo isso para dizer que faz uma semana que venho resistindo ao mal, com amor, com dedicação, com carinho, com respeito, com paciência. O esclarecimento venceu. Hoje veio uma singela recompensa ao final da tarde. Uma pequena vitória da luz.

Nesta semana percebi uma coisa: na hora da ira do nosso próximo, quando ficamos na humildade e no amor incondicional, quando e fato somos mansos e pacíficos, muitas vezes uma atitude de amor fraternal e grandiosa, muitas vezes o nosso próximo pode se ofender com uma atitude nossa totalmente irrepreensível.

Jesus passou por coisa pior, mas era parecido. Sua atitude pacífica após tantos castigos, na noite e dia da sua paixão, muitas vezes provocava nas pessoas daquela época uma irritação. Ou seja, para o orgulhoso é "humilhante" ver um Cristão não reagir, manter o pensamento reto na simplicidade. Quanto mais o Cristão é humilde, mais corre risco de ser "interpretado" pelos vizinhos e colegas como orgulhoso.

Vale lembrar que estamos ou estivemos nos dois lados, por isso pedimos paciência para os algozes de hoje, pois ontem fomos nós e amanhã, por queda, poderemos até sermos nós novamente os algozes.

Vale a pena andar mais mil passos com meu detrator. Vale a pena dar a outra face e não reagir com o revide. Vale a pena eu vibrar da maneira que eu desejo e não como meu próximo deseja.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Fé, Esperança, Caridade

A esperança e a caridade são uma conseqüência da fé. Essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que sustenta a esperança de se verem cumpridas as promessas do Senhor; porque, se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que vos dá o amor? Pois,se não tiverdes fé, que reconhecimento tereis, e por conseguinte, que amor? (ESE, CAP 19, Instruções do Espíritos. José, espírito protetor, Bordeaux, 1862)


Hoje o dia teve o foco da minha fé em relação ao meu mentor. Foi quase uma condição: ou vc continua aí neste estado ou se liga a mim e mudamos isso. Meu mentor (ou anjo da guarda) é um cara muito legal. Calmo, de um coração de ouro e me ama muito. Realmente eu não sei o que foi que eu fiz para merecer isso. Mas apesar de eu escutá-lo muito, contraditoriamente eu me ligou pouco a ele. Pode isso?

Hoje fui testado logo de manhã, por um amigo. Um amigo que não quer ser mais amigo. Pode isso? Fui tocando o dia, mas chegou um momento em que eu precisava de água. O que eu sentia: medo e receio de que tudo pudesse vir a perder. Faltava esperança ali. Pude cuidar de mim, com preces, pensamentos positivos e passes de limpeza. Mas tem uma coisa que me ajudou: ter respeito a mim mesmo e ao próximo. Isso é resultado da anotação anterior: tive paciência com os outros, o que me levou a um estado de compreensão e respeito, portanto caridade.

Mas na hora de todos estes exercícios, o que mais me ajudou foi ter me ligado ao meu mentor. Ele me pediu que eu tivesse Fé, terça feira. E o que eu tive? Não exatamente isso na quarta, mas certamente trabalhei minha fé nesta quinta. Eu consegui me ligar mesmo ao meu mentor, consegui sentir a sua vibração, mudei a minha.

Resultado: consegui ficar bem comigo, com as pessoas ao meu redor e consegui uma boa sintonia de pensamentos e vibrações com as pessoas com quem ando trabalhando meus sentimentos, Esta sintonia é uma coisa nova, estou procurando vivenciá-la (vivê-la) para depois entendê-la. O que sinto até agora é uma Fé mais forte do que há uma semana. Me sinto bem, seguro, feliz, com o coração aquecido.

No jantar com meus amigos de muitos anos, um deles disse que a Esperança é o que nos diferencia de uma inteligência artificial, que devemos sempre cultivar a esperança em nós e nas outras pessoas ao nosso redor.

O que me fez chegar ao final do dia foi a Esperança e a Caridade, que me auxiliaram a chegar um pouco mais alto, na Fé em que as coisas vão se encaixar, todos somos amados filhos de Deus.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Evangelho do dia - Orgulho e Humildade

E todos vós que sofreis as injustiças dos homens, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, lembrando que vós mesmos não estais sem manchas: isso é caridade, mas é também humildade. Se suportais calúnias, curvai a fronte diante da prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se vossa conduta é pura, Deus não pode vos recompensar? Suportar corajosamente as humilhações dos homens, é ser humilde e reconhecer que só Deus é grande e todo-poderoso.

(Lacordaire, Constantina, 1863, ESE Cap VII, Instrução dos Espíritos)


Após uma boa noite de sono, mesmo que isso tenha custado à falta do trabalho espiritual de ontem, uma idéia que pairava por minha cabeça, como uma solução salvadora, já começava a me levar à novas zonas de sombras.

O evangelho de hoje me trás novamente à luz da razão, à confiança que devo ter na espiritualidade superior. E na continuidade do meu trabalho.

Seja o que Deus quiser, então.

Eu não estou sem manchas. Posso suportar isso? Sim. Posso até sofrer as ameaças e elas podem até se concretizas, mas será pela vontade da pessoa que o faz. Sofrerei as conseqüências dos meus atos, mas o julgamento de fato é o de Deus e de minha consciência. Sei a dimensão do que fiz e sei o ponto de vista de julgamentos sociais - são bem distintos.

Se ocorrerem chagas em mim, que estas iluminem os cegos ao meu redor.

Mas mesmo deixando nas mãos de Deus, deixo a minha suplica: preserve as pessoas que eu amo disso tudo.

E em relação à quem me ameaçou, meu Pai, Você sabe o que passa em meu coração e sabe que não tenho o mal em troca. Que seus mensageiros evitem um continuar destes erros.

Que assim seja.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A reforma diária - Respeito a si

Mas os fariseus, quando ouviram que Jesus tinha feito calar a boca dos saduceus, juntaram-se em conselho. E um deles, que era doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, este é o maior primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas. (Mateus, XXII: 34-40)

Juntando os cacos de ontem, pude perceber com mais clareza uma situação muito comum em minha vida: eu não me respeito.

Se eu me respeitasse, não teria permitido que me faltassem com respeito, não deixaria que me fizessem de marionete, eu ouviria meu coração sofrendo, eu teria me preservado, teria reconhecido a minha dor. Eu me mantive neste momento todo como um refém, eu me coloquei de refém, de uma pessoa que queria me manipular. Se eu tivesse respeito por mim mesmo eu não teria dado tanta trela a esta pessoa.

Quantas pessoas existem no mundo? Preciso sofrer por esta amizade? Meu coração está doendo, se eu tivesse respeito por ele eu o teria ouvido direito: "esta dor não é só de saudade não, mas é dor de ter sido golpeado, me poupe deste tipo de situação".

A minha vida é minha responsabilidade e ao me colocar numa falsa posição de vitima, vejo que em eu não me respeitando eu passo a não respeitar o meu próximo também. "Quem não se respeita, normalmente não respeita o outros também". Sabias palavras.

Do amar a Deus e ao próximo como a si mesmo, o que posso dizer é que eu não me amando e me respeitando, passo a viver uma vida toda torta. Vou me amar mais e me respeitar mais, colocando esta condição para a vida e com isso crescer.

Respeitando a mim mesmo, terei condições de respeitar ao meu próximo, e este vendo a situação, se sentirá melhor e não terá nem o atrevimento nem a vontade de me agredir.

Mais uma vez, assim como todas as vezes, a minha felicidade depende de mim, não dos outros. E as minhas dores são minha responsabilidade, não dos outros. Este é o caminho.

Ser mãe é uma realidade, ser pai é uma conquista

A estes doze enviou Jesus, dando-lhes estas instruções, dizendo: Não procureis os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas que perecem, da casa de Israel. E pondo-vos a caminho, pregai, dizendo que está próximo o Reino dos Céus. (Mateus, X)

O título do post é um dito popular que explica que a gestação de 9 meses, carregando o filho no ventre, com tudo que isso possa implicar, que a mãe estará totalmente integrada às suas funções de mãe quando dá a luz à aquela criança. Já o pai, este terá que conquistar o papel de pai, papel este que construirá não só durante os primeiros anos, mas por toda a vida do filho. Sempre estamos aprendendo e consquistando a condição de ser pai.

Mais um evangelho que cai com o tema falar. Vejo que realmente é um compromisso que eu tenho que desenvolver. Tenho este sonho antigo a retomar, ter um lar no qual fazemos o evangelho semanalmente, como um esteio da família. Este lançar todos os dias a semente me dá uma segurança e fé que os caminhos a serem traçados.

Quero que todos em minha casa sejam partes das ovelhas de Israel, perdidas ou não. Sei que em relação à minha filha, será um longo caminho até se acostumar, mas ao mesmo tempo sinto que em relação à mamãe as coisas terão uma assimilação muito rápida, pois sei que ela tem a razão e o coração já trilhados anteriormente. E que o nosso novo acompanhante possa receber todas estas vibrações e futuramente, junto com a irmã, que possa compartilhar estes frutos.

Existe em meu trabalho muitas pessoas pedindo o pão, mas os que estão mais abertos são aqueles com cargos mais simples - aí não vale, pois com estes eu é que aprendo mais. O que me vem é que aí dentro terei que ter mais ação como cristão, pelo exemplo, do que pela palavra. O que é uma regrinha simples num lar cristão, ali pode ser colocado como uma mentira ou uma utopia.

O evangelho cria um esteio na relação entre as pessoas que o estudam e o compartilham. Com isso, o evangelho num lar ou num ambiente como um Centro Espírita cria entre as pessoas um certo compromisso de se agir e ser conforme esta palavra. Todos sabem que se todos seguirem o evangelho, teremos paz e harmonia. É um senso comum, o evangelho é o caminho da harmonia, do amor, da felicidade.

Então fora a família, minhas ovelhas desgarradas são meus atuais alunos e minhas aulas que virão com o soprar dos ventos, além das preleções que terei que dar. Me preparar, colocar meus sentimentos no que eu disser, trazer as pessoas à reflexão. O que eu tinha que errar neste ponto, errei até ontem, de hoje em diante o erro não se repetirá.

Escrevi tudo isso, tudo isso para que eu saiba e entenda o que eu sinto: desequilíbrio e corrigenda. Por anos, sinto isso como uma presença em mim muito forte. A nova família se formando, a nova paternidade, assim como todo o trabalho que conquistei de me recuperar dentro da casa espírita e no trabalho profissional. Tudo isso precisa de uma corrigenda. A busca, que me gerava desequilíbrio, está encerrada em definitivo. A corrigenda será aplicada com isso, morre uma casca de mim, morre uma parte que se renovará e eu poderei ser mais essência que antes. Este Zaki mais integrado surgirá, terei que dar espaço a ele. Preciso parar de fazer as coisas para satisfazer a expectativa do meu próximo e fazer de acordo com minha essência.

Na profissão, no centro, no lar, a vida me pede mais equilíbrio. Será uma conquista que atingirei com minha atuação dentro do que me coloca a vida, dentro do que planejo junto à espiritualidade.

Aproveitando os ensinamentos - Falar

Ensinamento 1: eu devo falar pois assim eu destravo a minha língua, assim eu solto para fora os meus sentimentos.

Ensinamento 2: eu devo falar, mas antes estudar, repensar no que sinto, para dizer as coisas com sentimentos, com isso ajudar aos outros a refletirem nas coisas e crescerem.

Sinto que o tempo passou e eu preciso me reciclar e repensar o meu papel no movimento espírita. Passo por uma mudança de ciclo, me sinto num novo momento, no qual realizo alguns sonhos que há pouco mais de um ano pareciam impossíveis.

Me pegaram pela mão e me levaram de volta a um estágio em que posso respirar e realizar trabalho. Meus braços se estendem, minhas mãos irradiam, mas os mentores querem que eu fale por eles, que eu cumpra aquilo que eu prometi antes e durante esta encarnação.

Estudar, fazer o evangelho diariamente e orar muito para ligar a eles.

Hoje foi pedido que eu confiasse mais. Realmente eu estava escutando mais a uma infeliz que ao meu próprio mentor.

O que sinto ao receber estas orientações: frio na barriga, receio de voltar a dar aulas, mas ao mesmo tempo imensamente feliz, pois é isso que eu gosto de fazer e vou realizar.

Que eu possa em meu dia a dia refletir muito sobre os meus sentimentos, que eu possa repensar no que eu desejo para mim, que eu possa confiar no Pai, que está no alto, disposto a me ajudar, ajudar a todos nós.

Ainda tenho no meu peito muitas emoções contraditórias pelo dia que eu tive. Receber uma ameaça não é nada legal, mas receber a noticia de Barretos me fez um bem que está acima de toda e qualquer mesquinharia.

Que eu me ligue aos bons espíritos e me desligue de todo mal pensamento que possa produzir ou receber. Que eu possa me envolver em luz todos os dias, pois os problemas irão passar, terei confiança e paciência, mais paciência que 13 dias, muito mais do que isso.

Que eu possa fazer merecer todas as benção que estou recebendo hoje, que eu possa valorizar cada coisa que existe em minha vida. Não vou esquecer as ajudas que recebi, mesmo que hoje queiram apagá-las. E que Deus me dê a oportunidade de secretamente eu retribuir, tão secretamente que nem eu mesmo possa perceber.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Vaidade

"Tudo que já fiz foi por vaidade. Jesus foi traído com um beijo, Davi teve um grande amigo. Não sei mais se é só questão de sorte..." (Renato Russo, L'Âge D'Or)


Vendo a valentia e nobreza das equipes de resgate que atuam na tragédia do Rio de Janeiro, penso com meus botões: o que eu já fiz de bom aos outros sempre teve como um joio a vaidade. O trigo cresce e tem o momento em que o colhemos e o joio se separa naturalmente, enfraquecido e débil, deixando o trigo limpo para se transformar em pão.

No momento não vejo que meu trigo esteja com esta bola toda e ainda vejo, todos os dias, o incômodo da vaidade em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos.

Não sinto a menor vaidade quando faço algo por minha filha. Faço por amor, bendita partenidade.

Mas no centro, no trabalho, no dia a dia, sempre estou defendendo meu ego, monitorando o que os outros podem estar pensando de mim.

Hoje recebi um presente de Deus. Me senti protagonista de uma história bonita de livros espíritas sérios. Fui ajudado ao cuidar das meninas, fui conduzido num bom roteiro até chegar na casa de uma grande e antiga amiga minha, que tem uma filha com quase a idade das duas. Um momento muito doce, que pudemos compartilhar, um pão que era dividido e multiplicado... Além disso, antes, pela manhã um doce momento com o meu querido sobrinho e minha filha brincando na piscina. Coisa doce da vida.

Hoje foi o dia de comer um pouco de trigo que tenho plantado. Já plantei muita vaidade por aí e tenho colhido os resultados amargos desta má semeadura. Toda minha vaidade vem de uma grande insegurança, um receio de ser descoberto pelo próximo. Além disso, por medo de perder o amor dos outros, coloco o mesmo outro numa posição de algoz - que é desnecessária - e faço isso pois preciso defender o meu ego e preciso identificar logo o inimigo.

O trabalho do orfanato, a mocidade, os trabalhos de obsessão... todos eles tinham este fator. Porém, em alguns momentos eu pude sentir que o plano espiritual me usava mesmo assim. O trabalho diário, conjuntamente com o evangelho no lar, me mostraram sempre que preciso lembrar qual é a minha missão aqui e para onde estou indo.

Este próprio blog é fruto de minha vaidade. A minha vaidade me impulsionou. Mas para se fazer um blog deste, não basta vaidade, teremos que buscar virtudes verdadeiras. Como tudo na vida, vejo que a vaidade vai se desfazendo e se apresenta a humildade.

Outro dia um fato mexeu com minha vaidade e virei um tubarão feroz. Maus pensamentos me atormentaram e por conta de me sentir mal, logo já estava em prece. Mas este logo durou alguns dias. Dias. Se eu morresse, umbral na certa.

Digo que estou despertando. Vou tirar esta ameaça que coloco no outro, uma ameaça contra mim mesmo, que eu mesmo planto. Vou colocar o meu próximo como um pedinte que precisa de água, tanto como eu. Me coloco no lugar do outro. Coloco o outro no meu lugar.

Assumir este sentimento de vaidade me deixa mais fortalecido, menos receoso de tê-lo. Sinto algo limpando em mim, mas ao mesmo tempo, vejo uma lanterna acesa em meu lado negro. Este lado que não posso menosprezar no dia a dia do "ôba, ôba, que as coisas vão dar certo". Mas vendo este meu lado vejo que o problema não está tão longe do meu alcance, não tão intransponível assim.

Dá vontade de arriscar e fugir deste meu vício da vaidade.

Quem teria sido David sem seu grande amigo? O que teria sido do evangelho de Jesus, sem o beijos de Judas?

sábado, 15 de janeiro de 2011

A reforma diária - Falar

Tem horas que eu sou ajudado por pessoas inesperadas. Tem vezes que a luz vem de onde menos eu espero. A vida vem me mostrando os bons caminhos e tenho tentado percorrê-los.

Posso aqui me criticar como uma pessoa que fala muito, mas isso está entrando mais no aperfeiçoamento do que eu sinto, da compreensão do que sinto, dos pensamentos e sintonias positivas.

O falar que quero tratar é o mais difícil. Me abrir. Estar aberto. Todos pensam que eu falo muito, que eu me abro demais, que me exponho. Principalmente agora. Mas isso, creiam, não é a verdade.

Todos os meus maiores problemas surgiram disso: eu não falar o que eu sinto, não colocar os meus problemas para fora, não colocar o que realmente o meu coração está sentindo. Num exemplo bem rasteiro eu me vejo num dia como hoje, tendo algum mal estar e ao invés de eu colocar isso para a pessoa que está comigo, eu não falo. É tão simples, mas depois de 41,99999 anos não fazendo não é tão simples. Desde pequeno eu passo por situações assim, "tenho" que ocultar e reprimir o que sinto.

Fico feliz por esta percepção, mesmo que tardia.

No último mês eu pude me abrir em muitas situações. Já me sinto melhor.

Sempre que a Judite me dizia que eu não me abria eu pensava: ela está errada. Mas agora vejo que eu passei toda a minha vida fechado, colocando um muro entre mim e meus próprios amigos, sejam ele familiares, amigos mesmo ou minhas pares.

Além de alívio, além de conforto, além de paz, eu sinto mesmo é que eu sou melhor do que eu penso, minha auto estima está melhor. E o mundo se tornou um lugar mais confortável para eu viver.

Caindo a ficha

Está caindo uma ficha sobre algo que ocorreu faz 3 anos. Vem uma pontada de arrependimento no peito, vem o reconhecimento do outro, vem lembranças que esclarecem um momento no qual eu estava cego por minhas imperfeições.

Em sério que me sinto aliviado de sentir este remorso. Existe algo doce por trás de eu sentir arrependimento? Cair a ficha faz bem para meu crescimento?

Eu sinto que para mim, cair a ficha e ter um estado de reconhecimento com o meu próximo me faz muito bem, pois entro num estado de amor, entro em contato com minha essência. Isso traz o respeito ao próximo, que traz outras virtudes atreladas na teia dos sentimentos. Entre eles, a Gratidão. O Arrependimento traz o sentido de Humildade, que chama sua irmã, a Caridade, dando assim uma sensação de bem estar.

Meu próximo que ofendi quer que minha ficha caia. É um ato de caridade que eu tenha entenda, sendo cedo ou tarde, que eu ofendi esta pessoa. O meu mentor quer que minha ficha caia, pois é um ensinamento que eu assimilo, mesmo que tardiamente, quer meu crescimento.

O reconhecimento é diferente do elogio. O elogio é o falar por falar, tem a mão direita que está olhando o que recebe à esquerda. O reconhecimento é cheio de humildade, de simplicidade, sem querer algo em troca. Ter o reconhecimento com que está na minha frente me deixa num estado de ser que me permite viver o momento e ter uma relação verdadeira com meu próximo. Por isso, os momentos de reconhecimento são emocionantes, verdadeiros.

Portanto, digo àquele que ofendi: reconheço meu erro. Sei que você pode até ter esquecido. Porém, eu me coloco à sua disposição para caminhar mais dois mil passos. Sei que muitas coisas você fez e faz por mim. Eu sempre senti isso nestes anos todos, mas agora após o meu arrependimento e compreensão sobre o que ocorreu, eu sinto mais ainda as benfeitorias que você fez e faz àquela pessoa que eu amo. Ou seja, o que vc fez de bom ganhou uns juros que ao longo prazo valorizaram mais ainda os seus esforços.

Meu Pai, que eu possa escrever uma nova página na minha vida e que outras fichas possam cair para que eu não repita os mesmos erros.

Leiam o livro: "Getulio Vargas em dois mundos". De Wanda A. Canutti, pelo espírito de Eça de Queirós. Editora EME.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paternidade é educação para o pai

Vejo em diversas partes do evangelho a questão da paternidade. Jesus chama Deus de Pai, mostrando de fato uma aproximação muito grande com o Criador, José deu esteio à familia em que nasceu o Cristo, nas parábolas, um pai que pede pela filha, entre outros exemplos. Mas não é só isso, lendo e relembrando muitas passagens, a figura do pai, ao longo de toda a nossa história, descontando um machismo dominante, sinto que a figura psicológica de um pai sempre esteve presente.

Na "minha" primeira gravidez eu ia no curso de gestantes, às vezes sozinho. Durante muito tempo eu assumi em grande parte um papel além do normal da figura do pai. Eu não sabia o que iria ocorrer quando minha filha nascesse, vi a mãe virar uma leoa cuidando da cria e eu pensava que comigo nada aconteceria. Mas sim, aconteceu, eu fiz de tudo para ficar com a minha filha, fiz os maiores sacrifícios pois eu precisava estar ao lado dela. Foi um sentimento muito forte que me manteve unido num matrimônio que não daria certo.

Me separar de minha filha foi muito difícil, foi um sofrimento que eu ainda não sei o tamanho das seqüelas. Durante muito tempo após a separação eu fui gradativamente perdendo espaço para a mãe, que assumiu enfim todos os cuidados pela filha amada. Com isso eu me vi perdendo o pique do que eu fazia: eu sempre fazia da minha filha o centro das atenções, sempre dava a ela o melhor, nunca deixava faltar nada, priorizava ela mesmo, num comportamento quase feminino, quase materno. Às vésperas da primeira visitação regularizada na justiça, eu pensava comigo: vou dar conta de cuidar de novo de minha filha sozinho, depois de 2 anos longe dela?

Realmente eu ainda não sei a resposta se dei conta ou não, mas digo que eu continuo priorizando a minha filha, sigo querendo o melhor para ela, sigo tendo força e pique para acompanhá-la. Com tudo isso, venho trabalhando a caridade, o esforço, o amor incondicional, a alegria.

Eu deixei aquele lar pensando em ter um novo lar, com a vontade de criar uma nova família, da qual a minha filha faz parte desde o princípio. Quero sim ter outro filho (Lucas?), quero sim perder noites, perder a vida por ele também. Estou com a pessoa certa para isso, será muito bom batalhar ao lado dela, pois sempre quis estar com ela, desde que visualizei isso em 1994.

Em 1994, num exercício da terapia em grupo que eu fazia, eu visualizei a pessoa que eu queria para mim. Mostrava ela sorridente, mostrava a sua inteligência e seu grande coração. Fiquei com isso na cabeça mas depois esqueci. Conheci minha primeira esposa e me separei. Logo me apresentaram ela, numa tarde de domingo. Num atrevimento eu disse a ela já neste primeiro dia o que havia se passado na terapia de 1994 e que era ela aquela mulher que eu havia visualizado. Ela deu de ombros, namorava alguém. Após a minha segunda separação, eu a procurei. Temos nossas diferenças, mas remamos para o mesmo lado, além de o simples fato de estar abraçado a ela já é uma grande benção de Deus.

Meu garoto, vem pra cá mostrar que ciência e religião podem se unir sempre, com o sabio laço da filosofia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meu Filho - Chico Xavier

O lar é o berço do teu destino, templo aberto ao teu coração. Aí tens o porto a que o Senhor te conduziu no extenso e furioso mar da vida terrestre

Aprende a respirar dentro dele com o respeito e a bondade que a vida nos merece.

Haverá, porventura, lição mais comovente que o esforço de teu Pai por manter-te robusto, e poderemos acaso encontrar mais sublime testemunho de sacrifício e ternura que o carinho de tua mãe, esquecida de si mesma em favor de tua alegria?

Quando a chuva lá fora enlameia a estrada, e quando a ventania passa zunindo na altura, já pensastes na bênção do teto que te agasalha?

À mesa, quando a sopa fumegante convida tua fome ao repasto, já refletiste na sublimidade do santuário que te abriga?

Quando cansado, te acolhes ao leito, já meditaste na doce e misteriosa mão de Deus que te sustenta o sono?

Aprende a honrar tua casa no culto da gentileza, enriquecendo-a com o teu serviço constante no bem e santificando-a com teu amor. O lar é o primeiro degrau com que o todo misericordioso nos induz a escalar o céu.

Tua casa é o teu celeste jardim no mundo. Cultiva aí, nesse abençoado recanto de paz e trabalho, as flores do bem que nunca fenecem.

Ajuda-o na preservação da tranqüilidade e do bem-estar, porque, um dia, de fronte preocupada como agora acontece ao teu pai e a tua mãe, crescido e pensativo, terás um lar diferente, onde entrarás como senhor, e inclinado sobre algum rosto alegre e saltitante como o teu, igualmente dirás:

“- Ah, meu filho, meu filho”.


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Meu filho, recebo-te de braços abertos, seja bem vindo. Saiba que eu estarei aqui aguardando suas solicitações, para atender à sua criação e educação. Percebemos que pela sua presença, trata-se de um ente muito amado por nós.

Não cai um fio de cabelo sem que Deus permita e ele permitiu o seu regresso, é a vontade do Pai que está nos céus.

Dá um frio na barriga pelo que eu tenho que voltar a aquecer os músculos, enfrentar com ardor as batalhas do dia a dia. O que somos capazes por um filho? O que desejamos dar a eles?

Hoje recebi as benção de diversas partes, tive vontade de sorrir muito e sorri. Mas noutras vezes eu pensei: tudo de novo, tudo com pressa, por que as coisas são assim comigo? Existe uma vontade maior, devemos respeitar.

Meu filho, de um abraço na sua mãezinha amada. Hoje você é um ponto de luz em nossas vidas, até que vá se transformando em farol. Receba nosso carinho assim como de nossos amigos. Estamos à sua espera.

Chuvas e inundações

Nestes tempos de chuvas vemos a mesma história se repetir: a imprensa relata as chuvas e suas inundações somente como responsabilidade do poder público. Todo mundo metendo o pau nos governantes, cobrando a eles por soluções.

Sinto dizer que estão todos errados. Eu sinto muito, mas se você quiser saber a verdade leia abaixo.


CAPITULO I - A CHUVA
Primeiro gostaria de esclarecer uma coisa: está chovendo mais, ou seja, estou falando da chuva, do momento em que a água sai de uma nuvem até atingir o solo. Com isso temos:
- Uma chuva que só caía de 15 em 15 anos, agora cai todos os anos. Uma chuva que só caía a cada 25 anos, caí a cada 5 anos.
- As chuvas estão com maior intensidade (milímetros de chuva por minuto).
- As chuvas atuais atingem o seu máximo de intensidade muito rapidamente.
- Um volume que caía durante 4 horas, agora cai em uma hora.

O que está acontecendo: a hidrologia diagnosticou no início dos anos 90 que a equação de chuvas da cidade de São Paulo (assim como outras) estava mudando. Estas mudanças seguem e seguirão. Ou seja, vai chover mais forte, mais rápido e com mais recorrência nos próximos anos. Independente do que ocorre depois que a chuva atinge o solo, do alto para baixo a coisa vai complicar.

Adianta colocar culpa no prefeito e no governador? Não.

Se fosse furacão e terremotos nós estaríamos muito satisfeitos em perceber que trata-se de uma catástrofe e logo nos uniríamos em prol do bem comum, nos uniríamos para suportar tal expiação. Mas no nosso caso, que também é catastrófico, também é expiação, nós enxergamos apenas as coisas como uma simples chuva. A chuva é de Deus, a chuva é da minha infância, a chuva é coisa boa, rega as plantinhas. Pois é, isso era o Brasil antigo, deitado em berço esplêndido. Nada atingia o Brasil, não tínhamos terremotos ou furacões. Aqui nenhum desastre natural acontecia. Mas agora acontece. Bem vindos às chuvas torrenciais e alterações no clima.

Merecemos isso? Não cai um fio de cabelo de nossa cabeça sem a permissão de Deus.

O que faremos: ou cobramos os governantes ou encaramos os fatos (que agora temos nossas catástrofes) e busquemos reais soluções. Nossas ruas foram dimensionadas para chuvas de 5 a 15 anos, mas agora estas chuvas ocorrem a cada 1 ou 3 anos. E as chuvas que caiam a cada 50 anos, ocorrem a cada 10 anos.

Qualquer obra de engenharia civil é dimensionada para aguentar uma certa capacidade de chuvas, dependendo do seu valor, quanto mais valiosa, maior a chuva ela deva aguentar. Exemplo: uma rua pode ser chuva de 5 anos. Uma avenida, 15 anos. Uma estrada, 25 anos. Uma rodovia, 50 anos. Um porto, 100 anos. Uma grande hidrelétrica é 10 mil anos (deca milenar).

O problema é que uma chuva de 15 anos dos anos 70 está ocorrendo agora de 2 em 2 anos. O que antes suportava bem, hoje não suporta mais. Lembrar que estamos ainda falando de quando a água sai das nuvens e ainda não chegou ao solo.

Esta é a nossa realidade, querendo ou não. O Brasil hoje tem suas calamidades que se repetirão e temos que tomar atitudes. Não atitudes rasteiras de cobrar os outros, mas subir um pouco mais o nível, compreendendo mais o que vamos enfrentar e buscando soluções mais avançadas do que a nossa simplória ciranda político-eleitoreira. Como verão mais para frente, a solução está em nós, em cada cidadão. E para isso teremos que nos unir e realizar algumas mudanças que vão gerar de todos muita renúncia.

CAPITULO II - DEPOIS QUE A CHUVA CAI NO CHÃO
Se chovesse como nos anos 70, a solução seria mais simples, bastava que tivéssemos as margens dos rios preservadas (com faixas de 30 a 100 metros para cada lado), além do plantio de grama em toda a cidade, construção de piscinões, permeabilidade dos terrenos, plantio de arvores em todos os quarteirões. Além de, claro, limpeza total da cidade, de todos os equipamentos de drenagem. E põe etc nisso.

Isso era a solução fácil, que exigirá de nós muita inteligência, esforço, empenho, constância, disciplina e muita muita UNIÃO. Ou seja, temos que fazer estas pequenas ações acima, pois são nossa lição de casa básica.

Mas com o que vimos no capitulo I acima mostra que devemos ir além do básico. Vai chover cada vez mais forte e com chuva forte não se brinca, ela é muito poderosa, leva embora tudo o que vê pela frente.

Olhe o tipo de intervenção urbana que viveremos nos próximos 50 anos:
- Redução do leito carroçável para aumentarmos as calçadas e estas recebem faixas de grama para termos mais impermeabilização.
- Quase 100% das pessoas se deslocará por transporte público, que será muito mais eficiente.
- As casas terão quintais permeáveis, assim como as caixas de retenção de águas de chuvas (piscininhas, já existe em lei).
- Teremos que plantar árvores em toda a cidade, para que elas retenham parte das chuvas e retarde um pouco o tempo de chegada da água ao rio.
- Bairros ou quarteirões inteiros serão removidos para preservar margens de rios e represas, para criar novos piscinões, ou para criar novas áreas verdes e novos parques.
- Como já dissemos, carro serão raros, teremos muitos calçadões e jardins por toda a cidade. Todos o máximo possível permeáveis.
- Não usaremos mais o plástico como lixo, será abolido o seu descarte e será 100% reciclado.
- Elimninação das avendas marginais aos rios, como Pinheiros, Tietê, Tamanduateí etc. Serão parques verdes lineares.

Isso terá que ser implantado ao longo dos anos, com esforço e empenho, comprometimento de todos.

Estamos prontos para renunciar e viver assim? Ou é mais fácil mesmo cobrar os políticos. Depois de prontas estas intervenções urbanas, vocês não acham que viver na cidade de São Paulo será um prazer, uma cidade limpa, ecológica, verde....?

CAPÍTULO III - CONCLUSÃO

Estamos passando um momento de expiação e nos é colocada a prova de nos unirmos. Devemos nos preparar para enfrentar estas situações todos os anos, cada vez mais graves. Devemos subir o debate político, lutar por leis melhores, pela vida, pelo caminho correto. Parar de dar murros em ponta de faca.

Espero ter esclarecido algo. Mão à obra?