sábado, 15 de janeiro de 2011

Caindo a ficha

Está caindo uma ficha sobre algo que ocorreu faz 3 anos. Vem uma pontada de arrependimento no peito, vem o reconhecimento do outro, vem lembranças que esclarecem um momento no qual eu estava cego por minhas imperfeições.

Em sério que me sinto aliviado de sentir este remorso. Existe algo doce por trás de eu sentir arrependimento? Cair a ficha faz bem para meu crescimento?

Eu sinto que para mim, cair a ficha e ter um estado de reconhecimento com o meu próximo me faz muito bem, pois entro num estado de amor, entro em contato com minha essência. Isso traz o respeito ao próximo, que traz outras virtudes atreladas na teia dos sentimentos. Entre eles, a Gratidão. O Arrependimento traz o sentido de Humildade, que chama sua irmã, a Caridade, dando assim uma sensação de bem estar.

Meu próximo que ofendi quer que minha ficha caia. É um ato de caridade que eu tenha entenda, sendo cedo ou tarde, que eu ofendi esta pessoa. O meu mentor quer que minha ficha caia, pois é um ensinamento que eu assimilo, mesmo que tardiamente, quer meu crescimento.

O reconhecimento é diferente do elogio. O elogio é o falar por falar, tem a mão direita que está olhando o que recebe à esquerda. O reconhecimento é cheio de humildade, de simplicidade, sem querer algo em troca. Ter o reconhecimento com que está na minha frente me deixa num estado de ser que me permite viver o momento e ter uma relação verdadeira com meu próximo. Por isso, os momentos de reconhecimento são emocionantes, verdadeiros.

Portanto, digo àquele que ofendi: reconheço meu erro. Sei que você pode até ter esquecido. Porém, eu me coloco à sua disposição para caminhar mais dois mil passos. Sei que muitas coisas você fez e faz por mim. Eu sempre senti isso nestes anos todos, mas agora após o meu arrependimento e compreensão sobre o que ocorreu, eu sinto mais ainda as benfeitorias que você fez e faz àquela pessoa que eu amo. Ou seja, o que vc fez de bom ganhou uns juros que ao longo prazo valorizaram mais ainda os seus esforços.

Meu Pai, que eu possa escrever uma nova página na minha vida e que outras fichas possam cair para que eu não repita os mesmos erros.

Leiam o livro: "Getulio Vargas em dois mundos". De Wanda A. Canutti, pelo espírito de Eça de Queirós. Editora EME.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paternidade é educação para o pai

Vejo em diversas partes do evangelho a questão da paternidade. Jesus chama Deus de Pai, mostrando de fato uma aproximação muito grande com o Criador, José deu esteio à familia em que nasceu o Cristo, nas parábolas, um pai que pede pela filha, entre outros exemplos. Mas não é só isso, lendo e relembrando muitas passagens, a figura do pai, ao longo de toda a nossa história, descontando um machismo dominante, sinto que a figura psicológica de um pai sempre esteve presente.

Na "minha" primeira gravidez eu ia no curso de gestantes, às vezes sozinho. Durante muito tempo eu assumi em grande parte um papel além do normal da figura do pai. Eu não sabia o que iria ocorrer quando minha filha nascesse, vi a mãe virar uma leoa cuidando da cria e eu pensava que comigo nada aconteceria. Mas sim, aconteceu, eu fiz de tudo para ficar com a minha filha, fiz os maiores sacrifícios pois eu precisava estar ao lado dela. Foi um sentimento muito forte que me manteve unido num matrimônio que não daria certo.

Me separar de minha filha foi muito difícil, foi um sofrimento que eu ainda não sei o tamanho das seqüelas. Durante muito tempo após a separação eu fui gradativamente perdendo espaço para a mãe, que assumiu enfim todos os cuidados pela filha amada. Com isso eu me vi perdendo o pique do que eu fazia: eu sempre fazia da minha filha o centro das atenções, sempre dava a ela o melhor, nunca deixava faltar nada, priorizava ela mesmo, num comportamento quase feminino, quase materno. Às vésperas da primeira visitação regularizada na justiça, eu pensava comigo: vou dar conta de cuidar de novo de minha filha sozinho, depois de 2 anos longe dela?

Realmente eu ainda não sei a resposta se dei conta ou não, mas digo que eu continuo priorizando a minha filha, sigo querendo o melhor para ela, sigo tendo força e pique para acompanhá-la. Com tudo isso, venho trabalhando a caridade, o esforço, o amor incondicional, a alegria.

Eu deixei aquele lar pensando em ter um novo lar, com a vontade de criar uma nova família, da qual a minha filha faz parte desde o princípio. Quero sim ter outro filho (Lucas?), quero sim perder noites, perder a vida por ele também. Estou com a pessoa certa para isso, será muito bom batalhar ao lado dela, pois sempre quis estar com ela, desde que visualizei isso em 1994.

Em 1994, num exercício da terapia em grupo que eu fazia, eu visualizei a pessoa que eu queria para mim. Mostrava ela sorridente, mostrava a sua inteligência e seu grande coração. Fiquei com isso na cabeça mas depois esqueci. Conheci minha primeira esposa e me separei. Logo me apresentaram ela, numa tarde de domingo. Num atrevimento eu disse a ela já neste primeiro dia o que havia se passado na terapia de 1994 e que era ela aquela mulher que eu havia visualizado. Ela deu de ombros, namorava alguém. Após a minha segunda separação, eu a procurei. Temos nossas diferenças, mas remamos para o mesmo lado, além de o simples fato de estar abraçado a ela já é uma grande benção de Deus.

Meu garoto, vem pra cá mostrar que ciência e religião podem se unir sempre, com o sabio laço da filosofia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meu Filho - Chico Xavier

O lar é o berço do teu destino, templo aberto ao teu coração. Aí tens o porto a que o Senhor te conduziu no extenso e furioso mar da vida terrestre

Aprende a respirar dentro dele com o respeito e a bondade que a vida nos merece.

Haverá, porventura, lição mais comovente que o esforço de teu Pai por manter-te robusto, e poderemos acaso encontrar mais sublime testemunho de sacrifício e ternura que o carinho de tua mãe, esquecida de si mesma em favor de tua alegria?

Quando a chuva lá fora enlameia a estrada, e quando a ventania passa zunindo na altura, já pensastes na bênção do teto que te agasalha?

À mesa, quando a sopa fumegante convida tua fome ao repasto, já refletiste na sublimidade do santuário que te abriga?

Quando cansado, te acolhes ao leito, já meditaste na doce e misteriosa mão de Deus que te sustenta o sono?

Aprende a honrar tua casa no culto da gentileza, enriquecendo-a com o teu serviço constante no bem e santificando-a com teu amor. O lar é o primeiro degrau com que o todo misericordioso nos induz a escalar o céu.

Tua casa é o teu celeste jardim no mundo. Cultiva aí, nesse abençoado recanto de paz e trabalho, as flores do bem que nunca fenecem.

Ajuda-o na preservação da tranqüilidade e do bem-estar, porque, um dia, de fronte preocupada como agora acontece ao teu pai e a tua mãe, crescido e pensativo, terás um lar diferente, onde entrarás como senhor, e inclinado sobre algum rosto alegre e saltitante como o teu, igualmente dirás:

“- Ah, meu filho, meu filho”.


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Meu filho, recebo-te de braços abertos, seja bem vindo. Saiba que eu estarei aqui aguardando suas solicitações, para atender à sua criação e educação. Percebemos que pela sua presença, trata-se de um ente muito amado por nós.

Não cai um fio de cabelo sem que Deus permita e ele permitiu o seu regresso, é a vontade do Pai que está nos céus.

Dá um frio na barriga pelo que eu tenho que voltar a aquecer os músculos, enfrentar com ardor as batalhas do dia a dia. O que somos capazes por um filho? O que desejamos dar a eles?

Hoje recebi as benção de diversas partes, tive vontade de sorrir muito e sorri. Mas noutras vezes eu pensei: tudo de novo, tudo com pressa, por que as coisas são assim comigo? Existe uma vontade maior, devemos respeitar.

Meu filho, de um abraço na sua mãezinha amada. Hoje você é um ponto de luz em nossas vidas, até que vá se transformando em farol. Receba nosso carinho assim como de nossos amigos. Estamos à sua espera.

Chuvas e inundações

Nestes tempos de chuvas vemos a mesma história se repetir: a imprensa relata as chuvas e suas inundações somente como responsabilidade do poder público. Todo mundo metendo o pau nos governantes, cobrando a eles por soluções.

Sinto dizer que estão todos errados. Eu sinto muito, mas se você quiser saber a verdade leia abaixo.


CAPITULO I - A CHUVA
Primeiro gostaria de esclarecer uma coisa: está chovendo mais, ou seja, estou falando da chuva, do momento em que a água sai de uma nuvem até atingir o solo. Com isso temos:
- Uma chuva que só caía de 15 em 15 anos, agora cai todos os anos. Uma chuva que só caía a cada 25 anos, caí a cada 5 anos.
- As chuvas estão com maior intensidade (milímetros de chuva por minuto).
- As chuvas atuais atingem o seu máximo de intensidade muito rapidamente.
- Um volume que caía durante 4 horas, agora cai em uma hora.

O que está acontecendo: a hidrologia diagnosticou no início dos anos 90 que a equação de chuvas da cidade de São Paulo (assim como outras) estava mudando. Estas mudanças seguem e seguirão. Ou seja, vai chover mais forte, mais rápido e com mais recorrência nos próximos anos. Independente do que ocorre depois que a chuva atinge o solo, do alto para baixo a coisa vai complicar.

Adianta colocar culpa no prefeito e no governador? Não.

Se fosse furacão e terremotos nós estaríamos muito satisfeitos em perceber que trata-se de uma catástrofe e logo nos uniríamos em prol do bem comum, nos uniríamos para suportar tal expiação. Mas no nosso caso, que também é catastrófico, também é expiação, nós enxergamos apenas as coisas como uma simples chuva. A chuva é de Deus, a chuva é da minha infância, a chuva é coisa boa, rega as plantinhas. Pois é, isso era o Brasil antigo, deitado em berço esplêndido. Nada atingia o Brasil, não tínhamos terremotos ou furacões. Aqui nenhum desastre natural acontecia. Mas agora acontece. Bem vindos às chuvas torrenciais e alterações no clima.

Merecemos isso? Não cai um fio de cabelo de nossa cabeça sem a permissão de Deus.

O que faremos: ou cobramos os governantes ou encaramos os fatos (que agora temos nossas catástrofes) e busquemos reais soluções. Nossas ruas foram dimensionadas para chuvas de 5 a 15 anos, mas agora estas chuvas ocorrem a cada 1 ou 3 anos. E as chuvas que caiam a cada 50 anos, ocorrem a cada 10 anos.

Qualquer obra de engenharia civil é dimensionada para aguentar uma certa capacidade de chuvas, dependendo do seu valor, quanto mais valiosa, maior a chuva ela deva aguentar. Exemplo: uma rua pode ser chuva de 5 anos. Uma avenida, 15 anos. Uma estrada, 25 anos. Uma rodovia, 50 anos. Um porto, 100 anos. Uma grande hidrelétrica é 10 mil anos (deca milenar).

O problema é que uma chuva de 15 anos dos anos 70 está ocorrendo agora de 2 em 2 anos. O que antes suportava bem, hoje não suporta mais. Lembrar que estamos ainda falando de quando a água sai das nuvens e ainda não chegou ao solo.

Esta é a nossa realidade, querendo ou não. O Brasil hoje tem suas calamidades que se repetirão e temos que tomar atitudes. Não atitudes rasteiras de cobrar os outros, mas subir um pouco mais o nível, compreendendo mais o que vamos enfrentar e buscando soluções mais avançadas do que a nossa simplória ciranda político-eleitoreira. Como verão mais para frente, a solução está em nós, em cada cidadão. E para isso teremos que nos unir e realizar algumas mudanças que vão gerar de todos muita renúncia.

CAPITULO II - DEPOIS QUE A CHUVA CAI NO CHÃO
Se chovesse como nos anos 70, a solução seria mais simples, bastava que tivéssemos as margens dos rios preservadas (com faixas de 30 a 100 metros para cada lado), além do plantio de grama em toda a cidade, construção de piscinões, permeabilidade dos terrenos, plantio de arvores em todos os quarteirões. Além de, claro, limpeza total da cidade, de todos os equipamentos de drenagem. E põe etc nisso.

Isso era a solução fácil, que exigirá de nós muita inteligência, esforço, empenho, constância, disciplina e muita muita UNIÃO. Ou seja, temos que fazer estas pequenas ações acima, pois são nossa lição de casa básica.

Mas com o que vimos no capitulo I acima mostra que devemos ir além do básico. Vai chover cada vez mais forte e com chuva forte não se brinca, ela é muito poderosa, leva embora tudo o que vê pela frente.

Olhe o tipo de intervenção urbana que viveremos nos próximos 50 anos:
- Redução do leito carroçável para aumentarmos as calçadas e estas recebem faixas de grama para termos mais impermeabilização.
- Quase 100% das pessoas se deslocará por transporte público, que será muito mais eficiente.
- As casas terão quintais permeáveis, assim como as caixas de retenção de águas de chuvas (piscininhas, já existe em lei).
- Teremos que plantar árvores em toda a cidade, para que elas retenham parte das chuvas e retarde um pouco o tempo de chegada da água ao rio.
- Bairros ou quarteirões inteiros serão removidos para preservar margens de rios e represas, para criar novos piscinões, ou para criar novas áreas verdes e novos parques.
- Como já dissemos, carro serão raros, teremos muitos calçadões e jardins por toda a cidade. Todos o máximo possível permeáveis.
- Não usaremos mais o plástico como lixo, será abolido o seu descarte e será 100% reciclado.
- Elimninação das avendas marginais aos rios, como Pinheiros, Tietê, Tamanduateí etc. Serão parques verdes lineares.

Isso terá que ser implantado ao longo dos anos, com esforço e empenho, comprometimento de todos.

Estamos prontos para renunciar e viver assim? Ou é mais fácil mesmo cobrar os políticos. Depois de prontas estas intervenções urbanas, vocês não acham que viver na cidade de São Paulo será um prazer, uma cidade limpa, ecológica, verde....?

CAPÍTULO III - CONCLUSÃO

Estamos passando um momento de expiação e nos é colocada a prova de nos unirmos. Devemos nos preparar para enfrentar estas situações todos os anos, cada vez mais graves. Devemos subir o debate político, lutar por leis melhores, pela vida, pelo caminho correto. Parar de dar murros em ponta de faca.

Espero ter esclarecido algo. Mão à obra?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nos rincões do coração

E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo deitava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, deitavam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outros que deitaram no gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância; porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII)

Acordo com pequeno aperto no coração, o que será? Abro o evangelho e dá "o óbolo da viúva" (obs.: óbolo era tipo o um centavo da época, a menor das moedas, mas que dava para comprar um pão).

Meu coração, me diga o que você sente, deixa eu entrar, vou entrar. Sinto a perda aqui, sinto orgulho ferido ali, incompreensão mais adiante. Que bom saber o que eu sinto, que eu não tente esconder isso de mim.

Ontem o trabalho espiritual foi abençoado, me senti muito bem e com boa energia, uma nova energia que eu não conhecia, que eu nunca tive. Doar, doar, doar, sem esperar nada em troca. Silenciosamente, mesmo num simples passe de limpeza, doar o que tenho de melhor, o que vem do fundo da minha alma. Tinha hora que eu olhava a cadeira do assistido ainda vazia, mas havia nela uma fonte de luz que a encobria que saía de mim. O que é isso? Que tipo de energia é essa?

Sei que semana a semana isso vai se limpando. Vejo e reconheço que meu coração se aliou à minha razão quando tomei certas decisões. Vejo cicatrizes no meu peito, mas estou bem, estou vivo, só tenho que agradecer. Hoje entendo o porque de muitos sentimentos que eu tive meses atrás, que eram alertas que meu coração me dava, que eu tinha que seguir.

Na hora da chuva, ontem, lembrei de como aquilo ali alagava e de como foi resolvido tudo isso, desde o início ao final. Os mentores do trabalho pediram pra vibrar aos trabalhadores e assistidos que tentavam chegar, uns em vão - isso ainda na abertura do dia. Todos que foram ali é porque precisavam, assim como eu também precisava muito.

Em cada cantinho do meu coração eu vou respeitando imensamente estes sentimentos. Mas vou procurando compreensão, vou depositando as minhas vibrações, centavo a centavo, aqui e ali, pois o trabalho vai me mostrando que não basta só perdoar, tenho que reconhecer de fato a minha dor, sem tentar esconder nada sobre o tapete. E isso, só com o tempo, só com as semanas, só com esforço.

Assim como foi resolvido o problema de drenagem no centro, fazendo dali, hoje, um lugar seguro, com a ajuda, esforço e sacrifícios ocultos de muitos. De onde veio o dinheiro que nos proporcionou a obra? Nunca soube, mas Deus sabe.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Abraçar a causa

Tem horas que estou para crescer, é como se fosse mudar de degrau. Nestas horas consigo ter uma percepção nova das coisas, que antes não tinha, mas na hora de uma mudança, começo a ter.

Isso significa que um grande orador pode ajudar muitas pessoas, mas ele vai servir de exemplo a poucos, geralmente aos que estão para mudar. É o tal, quem tem olhos para ouvir que ouça, quem tem olhos para ver que veja.

É isso que percebi observando um colega de centro. Ele se entregou, abraçou sua causa, sua própria cruz. Ele se perguntou; depois de saber de tudo isso, por que não abraçar? E assim ele atravessou uma linha quem ninguém tem muita coragem de transpor, pois a partir dela, é o Cristo que existirá em nós.

Já tive exemplos de pessoas que atravessaram esta linha e eram nítidas suas virtudes, sua elevação, envergadura moral e força realizadora. Mas eu me via muito distante. E por que agora não me sinto mais assim?

Desde há muito que me coloco à disposição dos outros. Mas eu sei que falta algo, algo que me deixe calmo, que diminua esta ansiedade.

Em 2008 eu optei por uma estabilidade que tem me feito muito bem. Eu ainda dou trabalho, mas estou muito mais tranqüilo e previsível que antes. Mas mesmo assim eu estou entrando neste relacionamento de uma maneira que nunca fiz, não há plano B, não estou entrando para ver onde isso vai dar, mas estou indo com uma grande vontade: eu quero que dê certo! parece meio óbvio, mas pode ser que antes, com os meus dois casamentos anteriores, por mais que eu tenha insistentemente lutado, lá no fundo eu não sabia se eu queria que desse certo. Depois de tanto lutar e dar murros em ponta de faca, sobrava mágoa de mim para elas.

Depois de enfrentar uma doce chuva forte e intensa, que lavou todo e qualquer limite de minha parte, que me destravou e me impulsionou, este relacionamento está indo para um rumo de alegria e amor. Com isso, vivo um novo viver. Um viver sem dúvida, um viver livre. Um viver de se planejar e de buscar novos rumos, de batalhar avanços.

Com isso tudo, sobra espaço para pensar em cruzar a linha. Desta vez eu irei sozinho, apesar de ter a minha companheira de vida. Não preciso pedir licença para ninguém, é uma coisa interna, uma vontade de viver uma coisa nova e me entregar.

Estevão nos deu o grande exemplo e seu pensamento subiu ao alto junto do Mestre. Estevão trazia as idéias de Jesus para a enfermaria da casa do caminho. Hoje eu estava lá, na enfermaria, olhando para o Estevão e pensava, se ele cruzou, vou cruzar também.

Hoje pude falar com uma das mais doces amigas que já tive. Sempre que nos encontramos é uma festa, sempre conversamos muito, trocamos confidências. Realmente o quanto vale uma amizade de verdade? E olha que é uma amizade de 23 anos. Naquele tempo ela era já uma pessoa boníssima, que me comovia o meu já distinto coração. Tão boa pessoa que diziam ter problemas... Este realmente é um mundo duro. Mas 23 anos depois e ela hoje é igual antes, não deixou de ter uma pureza interna incomum. Cresceu e se tornou uma excelente mãe, esposa, profissional, amiga, filha, irmã... Sem precisar renunciar às suas virtudes ela venceu.

A vida lhe pregou uma grande peça. Sua filha, que tinha um pouco mais de meses a mais que a minha, faleceu vítima de um súbito aneurisma. Ela vem se levantando, vem se erguendo, e com isso ela está levantando a todos os seus amigos com o seu exemplo. A força da sua fé, as chamas do seu coração sincero e corajoso estão tocando a todos àqueles que a rodeiam. E ela ainda diz novamente, 2 meses após perder a filha: quero ser mãe de novo!

O irmão do centro hoje, que me entrevistou, atravessou a linha. A minha amiga, sem perceber, também atravessou ou já chegou aqui do outro lado.

Ontem eu pedi o pão velho, e olhem, veio hoje a mim o pão quentinho. Hoje não deixo a eles uma rosa branca, mas um lírio branco, para que sua beleza possa durar muito.

Vivenciar isso faz parte de cruzar a linha?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Clarice Lispector, Renato Russo e um Mendigo

"Sou inquieta, áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que eu não sei usar amor. Às vezes arranha. Feito farpa. Se tanto amor dentro de mim. Eu tenho, mas no entanto continuo inquieta. É que eu preciso que o Deus venha. Antes que seja tarde demais". Que o Deus venha (Frejat e Cazuza, sobre texto de Clarice Lispector)

"E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?" (Mateus, cap. 7).

"O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempr"e que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" ( Mateus, cap. 25)

"E ao transformar em dor o que é vaidade. E ao ter amor,se este é só orgulho.
Eu faço da mentira, liberdade. E de qualquer quintal, faço cidade. E insisto que é virtude o que é entulho. Baldio é o meu terreno e meu alarde" (os Barcos, Renato Russo)


Já deu para perceber que eu coloco aqui meus defeitos e acabo colocando as minhas virtudes por tabela. Meu compromisso é com meus sentimentos, em renová-los, para isso preciso ir destrinchando as coisas, aproveitando o que a vida vai me oferecendo de exercícios de vivência.

Conforme a Clarice alertou, também sou inquieto. Namoro hoje com uma pessoa tranqüila e estável emocionalmente. Já tive relacionamentos com pessoas inquietas como eu e foi um desastre. No trabalho me dou melhor com pessoas mais tranqüilas (com trema e tudo). Mas os inquietos também amam. Sei que ser assim foi uma opção espiritual antiga, mas que venho dia a dia me observar e tentando me corrigir. Sei que usei a inquietude como força, como alavanca para muito das coisas que realizei até aqui. Mas tenho dado muitas trombadas, principalmente com pessoas que eu amo.

A vontade é mesmo de viver melhor e aproveitar melhor o momento. Viver a essência. Cuidar do jardim para que eu goste dele e outros possam visitá-lo. Clarice não escondeu dela o sentimento que tinha. Por fora ela admitia como ela agia e por dentro ela não se escondeu, se mostrou, se entendeu. E este exercício de se auto conhecer virou exemplificação e sua poesia entrou para a história.

A letra de Renato Russo, menos conhecida, mostra uma pessoa decide parar de colocar a culpa nos outros e com isso realizar críticas ferozes, decide olhar para si, escutar o próprio coração. Renato Russo parou de insistir no entulho e escutou no fundo da alma o seu próprio coração, este não desejava ser defendido, mas escutado. E a mensagem que ele dizia era: sinto saudades.

Nosso coração fica numa sala fechada por portas e janelas. Fica ali dentro, normalmente sozinho. Ele grita, clama e normalmente não damos bola a ele, só damos bola ao nosso racional. Nosso coração é doce e paciente, mas está sofrendo, pois sente muitas coisas mas não é percebido por nós. Como você se sentiria se estivesse no lugar do seu coração, chamando a atenção na sela solitária, ouvindo barulho de gente do lado de fora, pedindo ajuda, mas ninguém respondendo? Olha a dor que nossos corações passam a vida toda.

Fazer a reforma íntima, a caderneta pessoal, é ouvir a voz do coração, escutar os sentimentos que temos e procurar entender e reformá-los. Seremos mais felizes assim. A caderneta é apenas uma porta que entra na sela em que o coração está. Existem outras. Mas é uma das mais eficientes maneiras de estar com ele, escutá-lo acolhê-lo.

Um mendigo bate à minha porta. Pode ser no centro, no trabalho, no facebook, onde for. Hoje o mendigo é ele, amanhã poderei ser eu pedindo algo a uma pessoa. O mendigo tem ao fundo um patrocinador, Jesus. Se eu não der o pão, outro dará e eu terei a oportunidade de ajudar perdida. Jesus me dará outras oportunidades, mas aquela já foi. Mas eu posso piorar, dando pedra ao mendigo. A pedra, fria, símbolicamente a própria dureza de sentimentos. Não é assim que Deus funciona e não é isso que ele quer de mim. Ele quer que eu seja doce e amoroso com todos os que batem em minha porta.

E se o mendigo for uma pessoa que amo profundamente. Será só um pão, ou mais que isso, darei ainda abrigo, roupas novas e hospitalidade.

Por mais inquieto que eu seja, não posso insistir numa "virtude", que na verdade é entulho e devo ao meu próximo o pão da vida.

Mas hoje sou o mendigo aqui, parado à porta, pedindo que me dêem um pedaço simples de pão velho. Uma coisa simples, que sei que podem me dar e eu ficaria feliz e me iria com coração em chamas de ternura. Estão me respondendo com a pedra da indiferença. Ao invés de ficar mal com isso, ontem descobri um caminho: envolver de fato estas pessoas, com muito amor, o mesmo amor que eu daria, o mesmo abraço que eu daria, se eles permitissem. Dentro de mim vivo este amor, me felicito. Sei que outros me dão o pão, muitos me darão, mas a estes fica aqui uma delicada rosa branca em sua porta, presente deste roseiro árabe.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Semeadura

Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 )

Três coisas hoje me chamaram a atenção: (1) o número de acessos que o Blog teve, de diversas partes do mundo nestes primeiros dias do ano, (2) o compartilhar a informação no facebook, até por pessoas que não conheço, (3) o interesse de alguns posts especificamente.

Nunca sei quem é o meu próximo, se ele é solo bom ou não, de onde vem e para onde vai. Quando comecei a trabalhar no discipulado e parti a lançar as sementes do evangelho em minhas caminhadas, não sabia a força do que estava fazendo. As sementes chegando aos corações e muitas delas frutificando.

Em relação à primeira turma que dirigi, tenho os meus ex-alunos como grandes amigos. É uma relação de amor e confiança muito grandes. São laços que foram construídos com trabalho e esforço das duas partes e que agora rendem uma grande ligação de amor. A escola acabou em 2007 e a força espiritual de amor está maior ainda, mesmo com certo distanciamento. Com os alunos da minha segunda turma as coisas caminham para a mesma direção.

Mas existem as sementes que aplico em todos os outros trabalhos do centro, inclusive quando fico no encaminhamento, o meu trabalho preferido, pois ali sinto todos os assistidos que passam e posso lhes transmitir docilidade, alegria, atenção.

Na vida comum lanço as sementes do evangelho em muitos lugares, mas nem sempre é assim, pois muitas vezes esqueço. Tem épocas que estou mais comprometido e outras que estou perdido no turbilhão da vida. Mas basta um pedido que instantaneamente eu me ponho à disposição.

As pessoas que mais valorizam as sementes lançadas são as mais simples, as mais sofridas. E é a eles que meu coração mais facilmente desperta e me coloco em atenção a eles.

Assim como o semeador da parábola, busco ajudar a pessoa de onde vier, seja quem for. Já estive em happy hour que a turma resolveu fazer perguntas, muitas perguntas sobre espiritismo, problemas familiares, tudo o mais. Mesmo num ambiente daqueles menos propícios, dei o que eu tinha. Hoje na hora do café depois do almoço, foi a mesma coisa. De manhã numa reunião também. Ontem, anteontem, todos os dias, todo dia é dia de semear.

É grande a alegria de perceber as oportunidades sendo cumpridas, de ver algumas sementes brotando ou frutos sendo colhidos de uma árvore... O sentimento que bate no peito se chama caridade.

Que minha fé seja igual a de um grão de mostarda, tendo a confiança e certeza de que irei triunfar em meus propósitos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Indulgência

Sede indulgentes meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita. (José, Espírito Protetor, Bordeaux, 1863. ESE, Capítulo X, A Indulgência)

Amigos nos amam e nos dão bons conselhos. Querem muito o nosso bem. Me disseram para eu ser menos rigoroso e mais flexível.

Mas o que poderia me fazer ter uma atitude tão rígida? Estou me defendendo de que?

De viver, diz aqui o meu coração. Tenho medo de viver, por razão ainda não sei. Meu coração anseia por vida, por sentir o gosto da chuva, seu barulho, relaxar, respirar, tirar os sapatos, deixar as energias fluírem.

Quanto vale um conselho deste? Bastante, né?

A causa pode ser que seja por uma vontade grande de querer ter constantemente o controle e isso faz com que eu fique tempos grandes girando no meu próprio círculo.

Esta causa tem ânsia de poder, de possuir. Tive claros momentos de relax no final do ano, mas no final eu quero controlar as coisas e quero que tudo fique o jeito que planejei. Poder é filho do Egoísmo, muito prazer. A doença que tive no final do ano é típica de quem disputa poder.

Devo ser mais indulgente comigo e com os outros. Vivemos nos esbarrando por aí, às vezes nos trombamos, noutras não. Estou cobrando uma perfeição do meu próximo que estou longe de ter. Estou exigindo de meu próximo que ele tenha o meu tempo e não o dele.

E acabo fazendo esta tortura comigo também.

Hora de ser indulgente com o próximo, largar o poder, ser mais brando comigo e com os outros.

Obrigado

Sintonia

Faz uma semana que não durmo bem. No início pensei que era calor, mas choveu. Que era fuso horário, mas eu estava de férias. Que era alimentação, mas jejuei... O caminho correto sempre me alerta em relação à sintonia de meus pensamentos. Da próxima vez, vou colocar isso como prioridade no meu check up.

Ontem eu consegui, através de preces e elevação de pensamentos, manter uma sintonia de amor durante todo o dia, apesar do sono forte, causado pela forte insônia da noite anterior. Foi muito bacana entender que era influenciação forte que estava causando tudo isso, atiçando meu orgulho o tempo todo. Consegui manter esta boa sintonia por todo o dia. Manter isso me deu trabalho, vigiava meus pensamentos, fazia preces, me auto incentivava a olhar as coisas com os olhos da bondade, do amor, da alegria.

Realmente eu faz muito tempo que não ficava tão bem, pautado no meu esforço em ficar. Percebia os pensamentos negativos sendo enviados e eu simplesmente optando por não dar sintonias a eles. Foi muito legal.

Mas houve um momento em que parecia que "os seus probremas acabaron". Ou seja uma situação me fez pensar que estava tudo muito bem e que eu não precisaria mais me preocupar com nada. Nesta hora, relaxei, baixei totalmente a guarda. Estava tudo bem, as flores são lindas, o mundo é perfeito... Nesta baixa de guarda, o plano inferior se aproveitou e me lascou um direto.

Nada no mundo fará eu perder o que conquistei ontem. Mas aquele golzinho do plano inferior é um alerta para mim. Já dormi melhor esta noite, mas foi uma luta retomar a sintonia que eu estava ontem.

Ou seja, depois do golzinho da outra turma, durante meu novo esforço para não cometer os mesmos erros que tenho cometido durante toda a semana, pude perceber uma grande vitória, que podem ser traduzidas como: não critiquei, não revidei. Mas do resto eu tenho que trabalhar fortemente o meu orgulho, em especial a vaidade, pois foi ali que o plano inferior pegou.

Muitas vezes o plano inferior usa as pessoas que eu mais amo pois sabe que eu baixo a guarda. Não baixar a sintonia nem mesmo com os meus entes mais queridos é algo que tenho que trabalhar.

Bom dia a todos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Humildade

http://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-7-bem-aventurados-os-pobres-de-espirito/quem-se-elevar-sera-rebaixado/

Como disse no post anterior: será que eu não me coloco como superior ao outro, lá no fundo da alma, e este outro vem e me agride e eu poso de santo? Pode não parecer mas isso acontece. Mas após uma reflexão no texto do evangelho, as coisas podem mudar.

Após tomar inúmeros pancadas de uma pessoa, não só numa ocasião, mas em muitas outras tb, percebi que quando a pessoa fazia isso eu sentia um profundo desprezo por ela, por ela estar me agredindo. Até aí poderíamos dizer que isso é o normal, é sim, mas faz um mal danado. Está na hora de sermos anormais, para o nosso próprio bem.

Imagine então eu tentando ficar bem com o meu algoz. Peço desculpas e ele senta o porrete. Peço perdão e nada. Mais desprezo eu sinto, pois nem pra seguir as palavras do evangelho a pessoa segue... Eu sei que neste estágio eu tô tentando apaziguar as coisas e buscando que as coisas fiquem bem, que viremos a página. Mas lá dentro mesmo eu tô muito chateado com a pessoa. Eu peço perdão, mas não estou perdoando o outro de verdade. Como posso perdoar, se por dentro eu tô com raiva.

De inconsciente para inconsciente a gente passa para os outros o que sentimos. E por mais que as palavras digam uma coisa, a outra pessoa capta o que sentimos. Por isso tanto desentendimento.

Mas eu dei um passo. Tardio, mas progredi. Lutei pela amizade dela, lutei porque gosto dela, porque a admiro, porque esta pessoa me é importante. Não me importa mais nem me ofende mais se ela ainda me agride, o que mais importa é que eu sinto e transmito pelos meus poros que esta pessoa me vale a pena - assim como um filho rebelde é para o pai.

Nada nesta vida vem de graça. Se a coisa está feia pro meu lado, tenho dedo nisso. Tenho que seguir fazendo minha parte, tendo a humildade de fato, para não me importar mais com o xingar de meu amigo e ir com um algodão em seu peito ferido realizar o curativo.

Depois da palestra de hoje do Marquinho no centro, fantástica por sinal, sobre o perdão, percebi que valeu o esforço de me humilhar (no sentido evangélico), mas de coração limpo com meu algoz/vitima. E agora é vibrar por ele e confiar em Deus que Ele fará a parte Dele.

Boa Noite a todos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Amizades

O fim de ano foi um momento de muitos contatos com amigos, pessoalmente, por telefone, sms, email, rede social e messenger. Parei para refletir sobre as amizades que tenho e o que quero com elas, o que posso fazer por elas.

Vejo que a questão afinidade é um dos pontos que norteiam estas relações. Nem sempre é o chavão que penso, que seriam pessoas com interessem em comum. O mais comum mesmo são pessoas que estão na mesma sintonia.

Outro ponto é o respeito. Se há respeito a amizade é transbordante. Vejo que algumas amizades minhas faltam com o respeito em relação a mim. Muitas vezes isso ocorre pelas pessoas pensarem que me conhecem. Nem eu me conheço direito, quem dirá uma outra pessoa.

A dedicação é uma das forças da amizade. Ter momentos de troca, mesmo que sejam anuais, semestrais, mensais, não importa, o importante é trocar, valorizar, apoiar, acolher.

Percebi alguns problemas com gente que eu conheço faz muito tempo e também com gente que eu conheço faz pouco tempo. Tanto num quando noutro caso, percebo que a amizade está frágil, pois ambos desejam sentar na janelinha, pois já sabem tudo de mim. Nas relações mais antigas, que são também um pouco viciadas, normalmente eu me coloco numa posição de abertura e de mostrar meus medos e dúvidas. Como não tive uma vida das mais católicas, a pessoa já chega com a receita pronta, com a cabeça cheia, com os preconceitos latindo alto.

Uma amizade tem que ter doçura, espaço, amabilidade, respeito, carinho. A grosseria não pode existir aí. O estado de abertura para que o meu amigo possa mudar, ser diferente, crescer - preciso dar este espaço a ele. Nada mais desagradável do que ser julgado por "crimes" cometidos nos anos 1980 - por isso, evitar de tratar um amigo assim é coisa que eu também não devo fazer. Nada como passar na pele e pensar: será que eu faço isso também?

A grande maioria dos contatos que eu tive foram muito positivos. Realmente eu posso ser estranho, mas os meus amigos não são. São especiais, pessoas de grande sabedoria, de conhecimento ou psicológico ou doutrinário ou de emocional forte. São pessoas que me acrescentam. Realmente são grandes pessoas, independente de classe social, credo, cor, time de futebol, nacionalidade... Sou muito eclético com amigos, isso faz parte de mim, sempre foi assim, desde pequeno. No tempo em que eu dava festa de aniversário, eram festas muito bacanas, com grupos muito distintos, mas com pessoas de muito valor. Sempre pensei, eles são tão legais, acho que nem mereço tudo isso.

Nos casos das amizades com problemas, que escrevi acima, meus desejos são:
- Superar estas dificuldades, me aproximando e mostrando quem eu sou.
- Investir tempo neles, paciência.
- Não deixar que me rebaixem, que me façam caricatura, que me agridam.
Acho que seu fizer os 3 juntos vai dar certo. Meus sentimentos na hora do contato não foram os melhores, eu demoro muito a perceber que estão enfiando a faca em mim e ainda dando uma giradinha. O que pode parecer um coração puro, pode significar que eu possa ter um certo menosprezo pela pessoa que está me agredindo. Quem sabe se eu refletir mais sobre isso e não colocar mais o meu amigo no papel ruim, quem sabe as facadas viram beliscões e de beliscões virem carinho.

Uma coisa que eu gostaria de deixar registrado é que eu tive contato com muitos cubanos neste final de ano, pela internet. É um povo muito bacana, educado, que considera muito o próximo. O contato com eles, prejudicado em 2010 pela minha falta tecnológica, permanece bom, caloroso. Durante 9 anos trabalhei diretamente com eles a há 3 anos estou afastado deste convívio diário. Porém digo que temos muito o que aprender com eles, não é à toa tudo isso está acontecendo na relação Aliança e Cuba.

A todos os meus amigos, minhas melhores vibrações de amor.

A Gratidão

"O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos" (Lázaro, Paris, 1862 - ESE, CAP XI, T. J. Herculano Pires, evangelhoespirita.wordpress.com).

Neste Natal/Ano Novo, ainda vivo um turbilhão de emoções e sentimentos. O texto do evangelho de hoje me chama a refletir na questão da gratidão. O fato é que foram ingratos comigo e meu orgulho falou mais alto e apontou a falta de reconhecimento por parte de outros em relação a mim. Que a sua mão direita não sabe o que faz sua mão esquerda... Só se for a sua, pois a minha estava cobrando.

E tendo como resultado disso um tremendo mal estar. Os meus defeitos me fazem mal e algumas vezes eu resisto ao chamado do evangelho - em outras vezes eu atendo de maneira muito rápida aos convites da boa nova. A minha educação no bem tem que ser constante, diária, pois caso contrário as coisas podem atrofiar.

O evangelho, no mesmo capítulo, na parábola do credor incompassivo (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 23 a 35.), me faz o convite para que eu reflita em como eu sou grato ou não às pessoas que me ajudaram, ou seja, ao invés de eu cobrar os outros, que eu reflita se estou sendo grato ou ingrato com as pessoas.

Nesta época de final de ano, relembrei de muitas, mas muitas pessoas que me ajudaram em todos estes anos de minha vida. Percebi que a muitas delas eu não havia agradecido da maneira correta tudo aquilo que me haviam dado. Liguei para um tio meu que passa por uma situação muito difícil em sua família. Espero visitá-lo bastante em 2011. Vejo que a ingratidão é filha do orgulho, pois eu sempre fujo de ter que agradecer quando me sinto em risco de ser humilhado. Mas isso já não ocorre tantas vezes, tenho sido mais agradecido nos últimos anos, sem este temor. O problema é que muita coisa ficou para trás.

Nesta reflexão, o que mais me alegrou, o que mais deixou meu coração em paz, é saber que aquela pessoa que me foi ingrata, que eu tanto cobro mentalmente que me reconheça, esta mesma pessoa me fez tanto bem que eu sou muito grato a ela por tudo que fez a mim e aos meus entes mais queridos.

A gratidão é irmã do reconhecimento, uma das molas da humildade. Que eu saiba no próximo encontro com esta pessoa, relembrar mentalmente a minha gratidão com ela e que o meu olhar, dizer e sentir estejam de acordo com isso.

Cobrar algo desvalorizaria o que eu também fiz, faria perder em muito o valor. Este é o caminho de Deus e do Amor.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mais sobre perdão e o amor

Bom ano novo a todos. A mensagem que vem parece pedir união àqueles que se amam. Este post vai tratar disso.

Um casal que viveu anos juntos se ama compulsoriamente por conta da convivência que estimula diariamente os espíritos nesta virtude. Assim se passa o mesmo em relações estreitas como pais e filhos, irmãos, colegas de trabalho (em convivências longas), familiares.

Se uma pessoa faz bem àquele que amamos, passamos a ter uma relação de amor, que se inicia na gratidão. O que dizer,por exemplo, então da mãe de minha filha? Numa projeção até o final de nossas vidas o amor que sinto por ela será maior do que sinto atualmente, mesmo ela sendo minha ex-mulher. Pode isso? Pode.

Quando existe um fogo cruzado entre duas pessoas que se amam, a dor no peito é muito mais forte e amarga. É duro ser ferido por quem amamos, geralmente causa uma revolta, um desconforto, uma incredulidade...

Quando isso acontecer, vale um alerta: ao invés de falar mal de uma pessoa que conhecemos bem (e com isso, conhecemos bem alguns de seus defeitos), procurar admitir que fomos atingidos por alguém que amamos - que isso dói, nos pega desprevenidos, desarmados... Admitindo isso, devemos lamentar o fato, mas não investir em criticas, pois esta pessoa é uma pessoa amada e vai nos fazer mais mal ainda falarmos mal de quem amamos. Portanto, lembrar que a amamos é um passo importante na hora difícil.

O amor tem uma energia positiva que é irresistível ao espírito humano. Nós desejamos muito o amor, ele é sempre muito bem vindo. O amor sempre vence, não importa se demora um dia ou um século. Os humanos desejam amar e ser amados e renunciarão ao ódio ou raiva mais dia ou menos dia. Então, quem está no fogo cruzado com alguém que ama, aposte neste canal, aposte no amor, invista em suas derivações (respeito, reconhecimento, carinho, doçura, paciência etc).

Para que exista o perdão nestes casos, precisamos ver a realidade das coisas, refletir sobre o que ocorreu, limpar a cena do crime de coisas que não estavam lá. Muitas vezes incrementamos emoções e sentimentos que ali não existem. Pensamos que o outro muitas vezes acha, pensa ou agiu de tal maneira e é tudo mentira. Limpar a cena do crime é você de fato saber onde e como foi o golpe que tomou. Lembrar que esta pessoa também nos ama, além do que ela tem mais o que fazer do que passar o dia nos odiando de maneira tétrica.

Como já dito em post anterior, o Cristão precisa proteger o seu corações das agressões, que serão inevitáveis. É importante que não achemos o máximo uma relação masoquista de sofrer agressões. É importante se preservar, na medida do possível. quando andarmos no vale das sombras, sempre seremos agredidos, mas podemos não nos envolver com o fato em si, não assimilar o golpe. No caso deste post, como numa agressão entre filho e pai, de duas pessoas que se amam, normalmente a guarda está baixa e sentimos a dor. Com isso, devemos sim nos proteger para não piorar a situação.

Os dois passos acima são importantes, mas falta o último, que é de fato perdoar a pessoa que você ama, que te feriu. Este perdão é mais útil a você, agredido, que a quem te agrediu. Vai te fazer bem, vai te tirar de maus pensamentos. Quando ficamos perdidos em pensamentos raivosos ou de revolta, não vivemos o presente, deixamos nossa essência para viver nossa imaginação. Como é duro ter raiva de quem amamos? Nossa mente manda raiva e nosso coração suplica amor. Só o perdão mata esta charada, só perdão nos dá equilíbrio para entender o que de fato ocorreu e buscar pacientemente o momento em que as coisas ficarão novamente bem.

É comum rejeitarmos o caminho correto. É o mais curto, o menos doloroso... Para quem gosta da Lei do Mínimo Esforço, o caminho correto é o mais legal. A lei divina é sábia. E por que não caminhamos nele, já que é tão bom? É que na hora de optar por ele ou não, ainda o enxergamos como um doloroso renunciar de nossos saborosos defeitos.

Bom dia 1/1/11 (um dia perfeito).

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aproximações

Queria registrar aqui nesta CP 3 aproximações de espíritos que se deram em dezembro de 2010, 3 espíritos que senti muito de perto, qual sentimento eu tive. Sei que falar e escrever pode diminuir o que senti, me afastando daquela sensação tão elevada que eu tive.

1) No exame espiritual da turma, a câmara de médiuns descreve a presença de meu mentor (da encarnação) atrás de mim. Nunca havia chorado em exame espiritual e desta vez não pude me conter, pois foi um sentimento que não sei reconhecer, muito elevado, de intenso amor dele para mim. Velhos amigos. Como é duro estar aqui encarnado, cheio das tentações e preocupações e deixar de ter este tipo de sentimento tão superior, tão forte e cheio de luz, de alegrias, que nos dá uma sensação de uma fé inquebrável.

2) Durante o show de tango, em Buenos Aires, quando homenagearam o Astor Piazzola, executando suas músicas, eu já estava envolvido num sentimento de desejar que aquele bom povo se desse bem, superasse suas dificuldades, resgatando suas verdadeiras grandezas. Uma sensação de luz tomou conta de mim, senti uma aproximação muito grande e intensa atrás de mim, de um espírito de muita luz que disse: fiz esta música com muito amor, amo muito estas músicas e dei isso ao povo que eu amo. Saiba que desde aqui todos aqueles que amam esta pátria estamos todos lutando para que asa coisas mudem e se resgatem. Somos muitos, peço que de alguma maneira avise isso a todos. Do mesmo jeito que veio, se foi, tomei então um copo d´água.

3) A intenção era evitar uma pizza com vinho que poderia gerar mais erros. Surge então a idéia de dar de natal uma caixa com as coisas que minha mãe gostava, refletindo claramente o gosto de infância que comentei na câmara de passes uma semana antes da semana do natal. Inspirado na música que Raul Seixas (na época era raulzito e os Panteras) que fez uma versão linda de uma famosa canção dos Beatles: Você Ainda Pode Sonhar (Lucy In The Sky With Diamonds).
Pense num dia com gosto de infância
Sem muita importância
Procure lembrar, você por certo vai sentir saudades
Fechando os olhos verá
Doces meninas dançando ao luar
Outras canções de amor
Mil violinos um cheiro de flores no ar
(você ainda pode sonhar)

Feche seus olhos bem profundamente
Não queira acordar
Procure dormir
Faça uma força
Você não esta velho demais
Pra voltar e sorrir

Passe voado por cima do mar
Para a ilha rever
Vá saltitando sorrindo a todos que ver

(você ainda pode sonhar)

Bem, até aí tudo bem, depois de uma longa maratona no dia 24 de dezembro, consegui colocar nesta caixinha algumas coisas que minha mãezinha adorava no natal: frutas secas, vinho... Procurei o panetone que ela gostava (da Casa Suiça) e nada, até que encontrei e fiquei irradiante. No momento, fui envolvido por uma alegria muito grande, senti minha mãe junto, ela mandou uma energia de amor muito intensa e chorei ali mesmo (difícil me fazer chorar), ela me disse para que eu não procurasse novamente errar mais, mas que mesmo com os erros que cometi naquele dia eu estava fazendo o bem, um bem muito maior que os meus erros. Que com isso se finalizava um reconhecimento de amor de minha parte com aquela família, algo que eles mereciam e precisavam que eu fizesse: como um humilde rei mago, lhes entregasse uma oferenda ao amor de cristo que se instalaria ali. Foi um minuto, que garanto que valeu muito. Contei às minhas irmãs que não deram muita bola. Bom saber que minha mãe está bem, melhor impossível.

Me sinto com o coração iluminado ao escrever tudo isso. Acho que valeu a pena. Uma grande noite a todos.

Perdão e Desculpa

Tem vezes que agrido, não me coloco no lugar do outro, não percebo a sua dor. Se não reflito nesta atitude posso voltar a agredir esta mesma pessoa desta mesma maneira. Isso é um risco que posso cometer insistentemente,pois é comum criar avenidas de comunicação com as pessoas que me relaciono. Sinto claro um arrependimento quando cai a ficha do que fiz. Mas cair as ficha não basta, é importante que eu realmente vá mais fundo do porquê de tratar a pessoa assim ou assado. Para mim, é importante que eu não só mude minha atitude mas saiba que sentimento existia. No caso de hoje era medo de perder o controle das coisas - que, claro, não se justifica.
Me arrepender e de me colocar à disposição claramente de reparar o meu erro me parece o mais importante. Pelo arrependimento, entenda-se quando eu sei o que eu fiz, não gostei, não quero mais fazer, me comprometo a me policiar. Pelo arrependimento eu mereço as desculpas da pessoa que ofendi. Ao me colocar à disposição e tentar reparar o meu erro dentro do que a Lei Divina me oferece, com isso conseguirei no futuro o perdão do Pai. Desta maneira me sinto em paz, alcanço a paz interior, a paz divina.

Até aí, tudo bem, o problema é que fui ferido e ofendido, caluniado, bateram a porta na minha cara... E como é que fica? Como estão meus pensamentos? Um turbilhão de emoções negativas, pensamentos tristes, diálogos mentais intermináveis, ora convergindo para o bem, ora para o mal. Não há equilíbrio na balança do bem com o mal, não existe esta hipótese, o bem e o mal com grandes intensidades é uma montanha russa que só me desgasta e me faz mal. Sei que quem me fez mal não tem a menor idéia do que está fazendo pois repete isso constantemente. É muito duro quando sou o atingido e ainda por cima colocado como culpado numa grande inversão de valores.

Abro o evangelho e o que cai: não faça para os outros o que não quer que seja feito com você. Que droga, coloca por água abaixo meus planos malignos de me vingar e de pagar com a mesma moeda. Começo a refletir sobre o Perdão e a Desculpa. Vou perdoar, preciso do perdão. Mas desculpar e seguir em frente com esta relação me parece que não depende só de mim. De minha parte meu coração clama por paz e que eu não o coloque em mais risco de ser magoado. Sei que posso com isso estar escondendo mais algum defeito, mas solicito a nossa emenda do capitulo Amai os Vossos Inimigos, do ESE. Nele Kardec me exime de ter com quem pode me atingir a golpes (apesar de tb me dar amor) uma amizade plena. É compreensível e importante que eu me preserve. Ou seja, é isso: que eu perdoe com todo amor no coração, que eu me mantenha à certa distancia preservando meu tesouro interior. Não há revide, não há nova ofensa, somente sobram sentimentos transbordantes de amor em meu peito por esta(s) pessoa(s).

Que fique claro que não foi invasão, mas sim uma terna despedida, algo tão espiritual e elevado que minha razão não consegue alcançar e lhe explicar. Não tive a intenção de lhe fazer mal, tive meus erros pois eles me acompanham, pois eu os carrego (e não deveria) em meu peito. Sem pretensão, neste exato momento (pois depois muitos também o desejarão) saiba que eu sou um dos que mais torce para que tudo isso dê certo.

É possível que tal pessoa só faça isso comigo. Isso pode ser mais comum do que penso, posso excitar o lado que esta pessoa me agrida, sem que necessariamente ela faça o mesmo com outros. É a reação de uma ação. É o escândalo necessário, quem sou eu para não aceitar.

Agora é importante que eu seja forte em minha fé, pois posso querer me colocar por baixo novamente, desnecessariamente. Preciso ter dignidade.

Feliz 2011

Olá Povo Amigo, as resoluções de final de ano se iniciam com a retomada deste blog, agora com toda vontade do mundo que ele engrene. O ano de 2010 foi um ano que amadurecimento, quebra de barreiras, preparo para as definições. Profissionalmente valeu por 10, no amor valeu por 20, no centro valeu por 50, com filhota valeu por 100. Neste 2010 o Zaki retomou a sua vida, conquistou algo, um porto seguro, pavimentou suas estradas, quebrou paradigmas. O que será dos próximos anos, do que pode ocorrer no futuro? Espero muito que meus crescimentos possam refletir esta segurança que sinto agora, consigo perceber o amparo do que sou, da minha essência.
Que neste 2011 eu possa colocar aqui as impressões de minha reforma íntima, as resenhas dos livros que lerei, os meus pensamentos, os meus tesouros.
Para quem lê, desejo que vocês tenham um ano novo de muita luz, amor, paz, saúde e vitórias. Que aqui no blog possamos compartilhar um pouco de nossos corações sem risco de nos sentirmos ameaçados. Saibam que de minha parte a fonte não vai secar e a intensidade será alta. Beijos

domingo, 21 de março de 2010

Amor e Ódio

Todo mundo já entende que Amor e Ódio estão interligados, mas como? Dizer que são faces da mesma moeda é uma maneira de deixar no ar um enigma difícil de desvelar. Vamos procurar matar parte do assunto neste post.

Sentimos ódio quando entendemos que somos impedidos de amar.

O post poderia parar aqui, mas as interrogações permaneceriam, então vamos colocar alguns exemplos.

(1)Um palestino que perdeu familiares que ele tanto ama, tem ódio pelos israelitas que os mataram, pois sente falta dos familiares com os quais tanto trocava amor. Este palestino, mesmo depois da morte física, segue sendo obsessor destes judeus.
- Na verdade, se este espírito abrir os olhos verá os seus familiares o convidando ao perdão e a mudança de vida. Ou seja, nada o impede de amar os seus familiares, nem a separação dos planos. Manter o ódio pelos algozes é dar uma força ao mal que lhe fizeram e ficam escravizados nisso. Perdoar de fato seus algozes é vencer a agressão.

(2) Uma namorada leva um fora e vê o ex com uma amiga dele. Ela sente ódio pois entende que a nova namorada a está impedindo de amá-lo.
- Além de seguir na linha da resposta anterior, a ex namorada na verdade sente falta sim do seu ex. Mas ela sente muita falta de se sentir amada e respeitada. É um pensamento errado, mas que muita gente crê: para eu me amar eu tenho que ter uma pessoa ao meu lado, ter um bom emprego, ter bens, ser bonito (a)... Acreditamos muito nisso e estamos errados. Se entendemos que uma pessoa nos impede de termos algumas destas coisas, vamos odiá-la.

(3) Um chefe se vê ameaçado pela presença de um funcionário e busca boicotar o seu trabalho, mas o funcionário segue firme com as suas determinações e segue em seu crescimento. O chefe o odeia, pois ele conquista as pessoas que estão acima e abaixo do chefe.
- Fica claro que o chefe está numa zona de conforto e o novo funcionário está o colocando em risco. Ao invés de humildemente ele se empenhar mais, ele vê a possibilidade de se sentir menos amado por si próprio e pelos outros.

Vejam todas as manifestações de ódio de nós mesmos ou ao nosso redor. Todas vem deste princípio. Por isso, ao estar com pessoas que te odeiam (ou a outros) procure olhar para o coração delas, ferido, procure chegar ao amor que elas sentes que foram impedidas, procure dar atenção a elas, acolhe-las. É a melhor maneira de ajudar a este sentimento começar a terminar.

É importante não entrar na sintonia maléfica do ódio. Se te odeiam e você topa o jogo, acaba de complicar a sua vida (que já deve ter suas complicações, pois todos nós temos). O amor e o exemplo de humildade são muito importantes para ajudar a quebrar este paredão.

Menos mal, né? Ou seja, o ódio tem jeito.

Pensar que quem ama também odeia é um erro. Se é para guardar algo, guarde isso: Sentimos ódio quando entendemos que somos impedidos de amar.

O próximo post é sobre o Evangelho no Lar. Até.

domingo, 14 de março de 2010

Apresentando a Reforma Íntima

1) Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem ou seja. fazer o bem e não fazer o mal. O homem encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as menores ações. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Introdução VI).

2) Livro dos Espíritos, Allan Kardec:
Questão 919: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?
Resposta: Um sábio da antiguidade lhes disse: “Conhece-te a ti mesmo.”

Questão 919a: Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?
Resposta: Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar...(SANTO AGOSTINHO).

3) Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más tendências". (Allan Kardec, Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 17, item 4).

4) A questão social não tem, portanto , o seu ponto de partida na forma de tal ou tal instituição ; está inteiramente no aperfeiçoamento moral dos indivíduos e das massas. Aí está o princípio, a verdadeira chave da felicidade da Humanidade, porque então os homens não pensarão mais em se prejudicarem uns aos outros. Não basta colocar um verniz sobre a corrupção, é a corrupção que é preciso extinguir. (Allan Kardec, Obras Póstumas).

Estas 4 considerações acima foram propositadamente escolhidas para mostrar 3 momentos distintos da obra de Kardec em relação à reforma íntima. No Livro dos Espíritos, no princípio da codificação, aparece ali que a Moral de Jesus deve ser praticada e aplicada. Ainda neste livro, Santo Agostinho dá o caminho, que é a reflexão diária ou periódica, a observação de si mesmo. No Evangelho Segundo o Espiritismo, seu segundo livro, fica claro que a transformação requer esforço, que é meritório. Em seu livro final (Obras Póstumas), quando Kardec já estava maduro na nova doutrina, ele é mais categórico que este processo de reforma íntima é para todos os humanos.

Muitas coisas serão escritas aqui sobre a reforma íntima, mas resumidamente hoje dizemos que durante muitas encarnações nós mudamos para melhor de maneira reativa, conforme os ventos da das experiências determinadas pelos mentores. Com a reforma íntima, nós começamos a nos conduzir, nos qualificar, sendo que a ação agora é nossa, vem de nós.

O paragrafo acima é a mudança de comportamento que a sociedade ainda terá. As ideias de Jesus foram disseminadas, está até nas leis. Mas a reforma íntima está apenas inciando a sua escalada. A reforma íntima é a ação de conhecer-se e aplicando o evangelho de Jesus modificar-se. É olhar para si e não para os outros.

Outros posts serão sobre a Reforma Intima, suas metodologias e vivência. O próximo é sobre o Amor e o Ódio. Até

domingo, 7 de março de 2010

A Força do Perdão e do Arrependimento

Não é de agora que os valores são invertidos. Colocamos como fortes as pessoas que tem coração duro, aqueles que namoram varias pessoas ao mesmo tempo, quem é algoz, quem é temido, quem é invejado, quem é sagaz e por aí vai. Com o perdão nós fazemos o mesmo.

Jesus veio mostrar que na realidade, no dia a dia, de maneira factível, aquilo que pensamos que é forte é, na verdade, fraqueza. Ou seja, o mundo vem sendo governado pelos fracos, mas que todo este tempo os encaramos como fortes. No mundo espiritual (ou Reino de Deus, como falava Jesus), fica mais claro a todos que os fortes são os que praticam insistentemente a caridade, incluindo o Perdão, nosso personagem de hoje. Assim como o plano espiritual, o plano físico também é parte da obra de Deus, porém temos aqui o contato direto com o material e com isso nos educamos, mas também nos apegamos. Aprendemos também, com as atividades naturais que temos enquanto encarnados, a oportunidade de aprender o desapego. Até agora o ser humano viveu de maneira pouco eficiente, aproveitou pouco suas existências terrenas, pois está dando força às suas fraquezas.

Jesus nos trouxe aquilo que nos indica a verdadeira força, resumidos no Sermão da Montanha. Quando ele fala das bem aventuranças, o Nazareno está dizendo o que tento explicar desde o início deste post: os valores da terra estão invertidos, o que vale é justamente o seu contrário.

Bem Aventurados os Misericordiosos. Mesmo antes do nascimento do Cristianismo, alguns reis gostavam de ser reconhecidos pela sua misericórdia diante das situações. Claro, intuitivamente todos já sabiam que perdoar é algo positivo, uma virtude. O problema está justamente aí. Quando o perdão vem acompanhado da vaidade ou de qualquer outro defeito, ele não é perdão, mas um ensaio do que poderia ser. Um namorado que fica implorando “o perdão” da namorada, como se isso resolvesse algo, pensa que está se humilhando, mas não está.

A namorada que fica regulando “o perdão”, detendo o poder sobre o outro, pensa que isso lhe dá força, mas não dá. É esta relação de “pedir perdão” e “conceder perdão” é que temos que fugir, pois ela não leva a nada.

O perdão verdadeiro reflete a seguinte ideia: Quem precisa do perdão é quem precisa perdoar. Quem errou precisa se arrepender e buscar reparar seu erro.

Quem foi ferido e não perdoa, permanece com a ferida aberta, não a deixa fechar. “Não posso esquecer, pois senão me ferem novamente”. Viver usando a proteção que os preconceitos nos alertam é coisa que devemos abandonar. Se passamos por uma pessoa na rua de noite e um outro pensa que nós somos os assaltantes, como nos sentiríamos? Jesus nos ensinou que não devemos temer a nada, que devemos confiar no Pai a todo momento, de maneira reta e plena. Não perdoar, para ficarmos alertas, nos faz muito mal, nos deixa no passado, atrasados, não nos impulsiona em nossa evolução – que depende da nossa capacidade de amar. Quem não perdoa fica mal, sofre, fica numa vibração baixa, atrai obsessão... O perdão liberta a pessoa disso tudo e as coisas vão seguir em frente. É um bem que ela faz a si própria. Por isso afirmamos que quem precisa do perdão é quem precisa perdoar.

E quem falhou com o outro? Receber o perdão não adianta absolutamente nada na vida daquele que errou. Não dá para levar o recibo do perdão e levar a Deus e descontar dos seus erros. Numa indústria ou na vida de uma pessoa, o erro se trata da seguinte maneira. Em primeiro lugar ele não pode ser escondidos, tem que ser reconhecido. O arrependimento é então o primeiro passo. Eu conflito o meu erro com o sermão do monte e vejo que a minha atitude está errada. Arrepender-se é reconhecer não só que erramos, mas que poderíamos ter feito diferente. Deus quer este primeiro passo. O segundo passo é burilar de fato, nas entranhas, o que deu errado, o porquê, como não repetir, novas tentativas etc. É a reforma íntima, vamos ter muitos posts sobre este assunto, mas este passo não se concluí rápido, mas é importante que ele se inicie antes do 3o. O terceiro passo é tentar reparar o erro cometido. Porém isso nem sempre é possível que ocorra rapidamente, por que ainda pensamos muito na linha do olho por olho. Reparar um erro é mais difícil de entender como isso seja possível do que se imagina. Por isso temos que nos colocar à disposição. Encontrar a pessoa que ferimos e mostrar nosso arrependimento sem esperar o tal do perdão é muito importante. Mostrar que isso não se repetirá é mais importante do que supomos. É aí que nós mostramos ao próximo que não precisa nos temer. Se for possível compensar algo, que estiver na nossas mãos, ok, fazemos, mas sem esperar que isso repare 100% o nosso erro. Muitas vezes, para Deus o seu erro será reparado depois. Temos que ter paciência. O depois pode ser em outra vida. Duro para o nosso orgulho viver com esta “culpa”, com este débito, né? Por isso queremos o recibo do perdão, aquele recibo que não nos serve para nada, só para falsear as nossas falhas. Quando de fato não cometermos mais tal tipo de erro, através tentativas e acertos, através do nosso esforço, através do verdadeiro respeito ao próximo, muitas vezes só aí é que estamos prontos para reparar 100% do erro que cometemos. Ou seja, não precisamos do perdão quando erramos.

Não só nas relações amorosas, mas em todas elas é que precisamos refletir sobre isso. No próximo post vamos tratar finalmente do que é a Reforma Intima. Até.